“Alteramos a equação entre cessar-fogo que existe no papel e suas violações”, diz presidente do parlamento iraniano

Qalibaf, presidente do parlamento iraniano (Icana/AFP)

Após revide iraniano ao bombardeio por Israel a Beirute, Trump correu a telefonar ao foragido do Tribunal Penal Internacional, Netanyahu. “Quem manda, sou eu. Ele não manda nada”, asseverou ao Financial Times

O presidente do parlamento iraniano, principal negociador do país e ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Mohammad Baqer Qalibaf, em referência ao contundente revide iraniano com mísseis ao bombardeio israelense contra Beirute no domingo, afirmou que “alteramos a equação entre um cessar-fogo que existe no papel e suas repetidas violações no terreno”.

Bombardeio de Dahieh, subúrbio de Beirute, por Israel foi respondido pelo Irã com quatro ondas de mísseis, em que foram atingidas duas bases aéreas israelenses.

“Na sequência das agressões e atos de vandalismo perpetrados pelo brutal regime sionista no sul do Líbano e na região de Dahieh, com o apoio dos criminosos Estados Unidos, as poderosas forças armadas da República Islâmica do Irã, em defesa do povo oprimido do Líbano, deram uma resposta contundente a esse regime”, anunciou Teerã.

Há relatos de que uma base dos EUA na Jordânia foi atingida pelos iranianos e que, no Curdistão iraquiano, instalações americanas também foram alvejadas desde o Iraque.

Ao que se seguiu o bombardeio, pelos sionistas, de Teerã, Isfahan e um complexo petroquímico na província de Khuzestan.

Trump, segundo relato do portal Axios, teve de correr a telefonar para Netanyahu, o foragido do Tribunal Penal Internacional, ordenando a interrupção do confronto, depois de postar uma mensagem alegando que um acordo estaria “próximo”.

LÍBANO, PARTE ESSENCIAL DO CESSAR-FOGO

Prontamente o Irã tornou claro que responsabiliza os EUA por qualquer violação do cessar-fogo e escalada na região, o Líbano é parte essencial do acordo de cessar-fogo acordado com Washington e um ataque ao Líbano é um ataque à própria trégua.

Na manhã de segunda-feira (8), o porta-voz do Quartel-General Khatam al-Anbiya do Irã anunciou a cessação das operações militares contra alvos estratégicos israelenses realizadas em “solidariedade ativa com o povo libanês”.

Advertiu, ainda, que se os atos de agressão vierem a continuar, inclusive no sul do Líbano, as forças armadas iranianas adotarão “medidas mais duras, rigorosas e decisivas do que antes “.

Em paralelo, o governo revolucionário do Iêmen declarou que o Estreito de Bab el Mandeb, a estratégica hidrovia que dá acesso do sul de Israel ao Canal de Suez e ao Mar Vermelho, está fechado para os navios israelenses ou a seu serviço.

Pelo Bab el Mandeb passam 12% do petróleo e gás comercializado no mundo, o que torna ainda mais crítica uma situação já bastante grave com o fechamento do Estreito de Ormuz, desencadeado pela guerra de agressão dos EUA e Israel contra o Irã, e que ameaça de recessão a economia mundial.

NINGUÉM ACREDITA

Apesar dos relatos publicados na mídia norte-americana, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, reiterou que “sem dúvida … as ações do regime sionista na região não podem ser separadas das políticas dos EUA”. Ele rejeitou as tentativas do governo Trump de distanciar os EUA das ações israelenses: “ninguém acredita que o regime sionista desencadearia qualquer ação sem coordenação e cooperação a prior com os Estados Unidos”.

Ainda assim, a CBS assevera que Trump, pela primeira vez, não teria ordenado às forças norte-americanas que interceptassem os mísseis disparados pelo Irã. Já Axios divulgou um suposto entrevero entre Trump e Netanyahu, em que teria dito: “Bibi, é melhor você tomar cuidado, ou muito em breve você ficará por conta própria”.

Ao Financial Times, Trump garantiu que “quem manda sou eu. Eu tomo todas as decisões. Ele (Netanyahu) não manda em nada”.

Sobre as tensões desse fim de semana, Qalibaf as atribuiu às “flagrantes violações americanas do cessar-fogo no Líbano e do bloqueio naval imposto ao Irã”, acrescentando: “Tivemos que responder firmemente para defender os direitos do povo iraniano.”

Ele enfatizou que Teerã não precisa escolher entre guerra e negociações: “A diplomacia não impede operações militares, e operações militares não impedem a diplomacia.”

SEGURANÇA SUSTENTÁVEL

Qalibaf observou que as forças armadas do Irã estão sempre em alerta máximo e cumpriram seus deveres com o mais alto padrão, ressaltando que “o objetivo é acabar com a guerra e estabelecer uma segurança sustentável, não normalizar as relações com os Estados Unidos.”

Quanto às declarações de Trump sobre um “memorando de entendimento”, Qalibaf disse que elas contradizem as disposições acordadas, indicando que “não estão buscando um cessar-fogo nem um diálogo.”

Dados divulgados pelo governo libanês apontam que, desde a entrada em vigor da trégua mediada pelos Estados Unidos em 17 de abril, o Exército israelense realizou 3.491 ataques aéreos e promoveu 407 demolições em território libanês. Mais de 1 milhão de pessoas, o equivalente a cerca de um quinto da população do país, foram deslocadas desde o início da guerra.

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