Relatório da Polícia Federal cita R$ 9 mil para retirar 12 links de notícias. Advogado alega que buscou desindexar conteúdos antigos, enquanto investigação apura suspeita de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal identificou mensagens e documentos que apontam que o advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pagou para remover ou desindexar notícias que o relacionavam ao parlamentar.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo e reproduzidas por outros veículos nesta terça-feira (20), a planilha apreendida pela PF lista 12 links de reportagens e indica que os conteúdos foram retirados.
As mensagens, encontradas no celular do advogado, são de outubro de 2025 e tratam da contratação de serviço de gerenciamento de reputação digital. O valor negociado teria chegado a R$ 9 mil, após desconto sobre os R$ 12 mil inicialmente previstos para a remoção dos 12 links.
De acordo com trecho do relatório policial, “os elementos analisados indicam, ainda, que o investigado teria contratado e remunerado terceiro com a finalidade de promover a remoção ou desindexação desses conteúdos dos resultados de busca do Google”.
ADVOGADO NEGA TENTATIVA DE OCULTAÇÃO
Em nota, a defesa de Willer Tomaz afirmou que a iniciativa se refere a “ação judicial contra o Google para desindexar conteúdos antigos e desatualizados”.
Também negou que o objetivo fosse esconder sua relação com Flávio Bolsonaro: “Willer Tomaz jamais buscou desvincular sua imagem da de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo”, declarou a assessoria.
O senador não havia se manifestado sobre o episódio nas informações divulgadas até a publicação das reportagens.
INVESTIGAÇÃO NO SUPREMO
O episódio ocorre em meio à investigação conduzida no STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro, envolvendo Tomaz e Flávio.
A apuração examina relações financeiras, empresas ligadas ao advogado e possíveis conexões com o setor de apostas on-line.
Reportagens anteriores também apontaram e-mails que vinculam a conta identificada com o nome de Flávio a perfil de acesso bancário associado à empresa Alcazar Holdings, ligada a Tomaz.
A PF considera necessário aprofundar a análise das movimentações financeiras e das relações entre os investigados. Ambos negam irregularidades, claro.










