Na última mesa de negociação da campanha salarial dos bancários, na quinta-feira (27), a categoria conseguiu que a Fenaban avançasse na proposta de reposição da inflação, mas, de acordo com o Comando Nacional dos Bancários, a proposta “ainda é insuficiente” e foi rejeitada pelas lideranças sindicais. “A negociação e a mobilização continuam”, afirma o Comando.
A presidente do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destaca que o avanço se deu graças à mobilização, à grande participação da categoria nas plenárias, à paralisação do dia 20, à unidade nacional e à capacidade de negociação das lideranças, mas, segundo ela, “o índice ainda não é suficiente para valorizar os trabalhadores de um dos setores mais lucrativos da economia”.
“Rejeitamos a proposta e reforçamos, mais uma vez, que a categoria espera valorização real para salários, VA, VR e PLR”, disse.
Segundo o sindicato, apesar da proposta apresentada, com reposição total da inflação (IPCA), estimada em torno de 4% para a data-base da categoria (1º de setembro), ela não traz aumento real para a categoria. “Por isso, foi rejeitada em mesa de negociação”, explica a entidade.
“Somos mais de 400 mil bancários de todo o país, de bancos públicos e privados, e as negociações são complexas. A Fenaban fica argumentando que cada 1% de reajuste significa acréscimo de R$ 1 bilhão nos custos salariais. Mas esse cálculo não justifica impor arrocho salarial, porque do outro lado os lucros seguem altos”, reforça a presidente da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.
Além da pauta econômica, a negociação também avançou em cláusulas sobre a NR-1; gestão ética da tecnologia; direito à desconexão; requalificação e realocação profissional; indenização adicional de bancários demitidos em virtude de fechamento de agências, uma questão pendente da mesa sobre proteção ao emprego; entre outros pontos.
Conforme o Comando, os banqueiros também voltaram atrás na tentativa de retirar direitos como a gratificação de caixa, função que os banqueiros alegam estar em extinção, e congelar verbas.
“Cobramos uma proposta que finalmente valorize a categoria com aumento real para salários e todas as demais verbas. Um setor que lucrou R$ 182,4 bilhões só ano passado tem todas as condições de valorizar seus trabalhadores”, conclui Neiva Ribeiro.
As negociações com os banqueiros serão retomadas ainda nesta sexta-feira (28) com a expectativa de que a Fenaban apresente uma nova proposta de reajuste. “Vamos seguir lutando por aumento real”, pontuou Juvandia Moreira.











