Neste domingo (6), o governo Trump voltou a pedir à Suprema Corte dos Estados Unidos a permissão para impor novas restrições ao voto por correio nas eleições de 3 de novembro.
As restrições visam suprimir o voto de 48 milhões de norte-americanos, a maioria trabalhadores e votantes do Partido Democrata.
A juíza federal Indira Talwani havia bloqueado a medida, uma fraude descarada, argumentando que a implementação dessas mudanças a menos de 70 dias da eleição poderia gerar confusão e privar milhões de cidadãos do direito ao voto.
De maneira geral, na maioria dos países as eleições ocorrem em um domingo. Já nos Estados Unidos as eleições federais são sempre realizadas durante a semana, mas não em qualquer dia: é sempre na primeira terça-feira depois da primeira segunda-feira de novembro, dia que não é feriado.
Nestas condições a opção de voto pelo correio é a que permite a expressão da vontade de trabalhadores ocupados no dia da votação.
Trump defende há anos restrições ao voto por correspondência, em meio a falsas alegações de que sua derrota na eleição presidencial de 2020 foi resultado de uma fraude eleitoral generalizada.
A juíza da Suprema Corte Ketanji Brown Jackson estabeleceu até quarta-feira (9) o prazo para que sejam apresentadas respostas ao pedido do governo Trump.
TODOS OS ESTADOS DOS EUA PERMITEM ELEIÇÕES POR CORREIO
Hoje todos os Estados dos EUA permitem alguma forma de votação por correspondência. Vinte e nove deles autorizam os eleitores a solicitar uma cédula pelo correio sem precisar apresentar um motivo, enquanto oito realizam eleições inteiramente por correspondência.
A medida que prevê que o Serviço Postal passe a criar listas de cidadãos, organizadas por Estado, para auxiliar na definição de quem tem direito a votar é absurda às vésperas das eleições e questionada enquanto alguns Estados já começaram a enviar cédulas eleitorais pelo correio para as eleições de meio de mandato.
A Carolina do Norte se tornou na sexta-feira (4) o primeiro Estado a enviar cédulas pelo correio para as eleições de novembro.
O procurador-geral dos Estados Unidos, John Sauer, que representa o governo Trump, pediu que a regra entre em vigor imediatamente. Segundo ele, a manutenção da suspensão pode gerar “confusão e caos” à medida que mais Estados já enviam cédulas pelo correio.
O governo já havia apresentado um pedido de emergência à Suprema Corte para derrubar a decisão provisória da juíza Talwani.
Antes que a Corte se pronunciasse sobre o caso, no entanto, Talwani prorrogou a decisão na sexta-feira, o que levou o governo a apresentar uma nova petição neste domingo.
AUTORIDADES ELEITORAIS DIZEM QUE NÃO PODEM CUMPRIR OS PLANOS
Autoridades eleitorais e outros especialistas em votação pelo correio disseram em documentos apresentados aos tribunais que, mesmo que os Estados consigam encontrar os milhões de dólares que estimam que a adequação às regras custaria, não há uma maneira prática de cumprir, a tempo, os planos do Serviço Postal dos EUA, assinalou a CNN.
O governo descreveu as novas regras postais como uma mudança “modesta” para os Estados. Mas, se os estados ou autoridades locais não cumprirem os requisitos para os programas de votação pelo correio, a Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA não entregará suas cédulas — o que pode provocar uma privação em massa do direito de voto.
Fornecedores disseram às autoridades eleitorais que não há tempo suficiente para imprimir os milhões de envelopes que precisariam ser redesenhados de acordo com a regra. Segundo documentos judiciais, é possível até que não haja quantidade suficiente de papel disponível para isso.
Autorizar e treinar administradores eleitorais locais para utilizar um portal nunca antes usado, criado pela agência para o envio das listas de eleitores que receberão cédulas pelo correio, exigiria milhares de horas de trabalho dos funcionários.
“Estamos a semanas do envio das cédulas e o USPS ainda não consegue responder a perguntas básicas sobre como isso vai funcionar. Claramente, eles mesmos não sabem”, disse à CNN Amanda Gonzalez, secretária eleitoral do condado de Jefferson, no Colorado, que deverá enviar 433 mil cédulas pelo correio.











