Em conversa recuperada pela PF, Fabiano Zettel, cunhado do dono do Master, afirma que Vorcaro mantinha fortuna fora do País e não conseguia acessar os recursos
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, mantinha R$ 20 bilhões no exterior, segundo relato feito pelo cunhado e apontado como operador financeiro, Fabiano Zettel, em gravação recuperada pela Polícia Federal e divulgada pela revista Piauí.
A informação foi reproduzida por diferentes veículos noticiosos nesta semana.
Em conversa com mulher, em dezembro de 2025, Zettel afirmou: “Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo”.
Segundo o relato, Vorcaro enfrentava dificuldades para movimentar os recursos depois da primeira prisão e da liquidação do Master.
RECURSOS SOB INVESTIGAÇÃO
A PF já obteve autorização judicial para rastrear patrimônio e ativos do ex-banqueiro no exterior por meio de cooperação internacional.
Entre os bens procurados está iate avaliado em cerca de R$ 500 milhões.
Documentos da investigação também registram que, após a primeira prisão de Vorcaro, foram bloqueados mais de R$ 2,2 bilhões que estavam em conta do pai dele, Henrique Moura Vorcaro, com a CBSF DTVM, conhecida como Reag.
A decisão judicial afirma ainda que a organização continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros.
FRAUDE BILIONÁRIA
A revelação ocorre no avanço da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro que envolve o Banco Master.
Segundo a PF, operações fictícias ou sem lastro que envolvem o Master e BRB chegaram a cerca de R$ 17 bilhões.
O Banco Central liquidou o Master em novembro de 2025. O Fundo Garantidor de Créditos estimou em aproximadamente R$ 41 bilhões os depósitos e investimentos elegíveis à garantia nas instituições liquidadas do grupo, no que se tornou o maior ressarcimento da história do FGC.
ZETTEL NO CENTRO DO CASO
Zettel, casado com a irmã de Vorcaro, também foi preso pela PF no âmbito da investigação. Segundo a apuração policial, ele atuava como operador financeiro e intermediava pagamentos e transações entre integrantes do grupo investigado.
As gravações divulgadas nos últimos dias também trazem outras declarações de Zettel sobre as relações de Vorcaro com autoridades e empresários.
Essas afirmações, assim como a cifra de R$ 20 bilhões, são objeto de apuração.
FINANCIAMENTO A FLÁVIO BOLSONARO
Vorcaro deu a Flávio Bolsonaro quase R$ 70 milhões a pretexto de financiar o filme “Dark Horse”. O dinheiro foi parar nos Estados Unidos, numa conta gerenciada pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.
O pedido de Flávio para Vorcaro foi de R$ 134 milhões. O restante só não foi pago porque o banqueiro foi preso.
Flávio jurou não conhecer nem ter qualquer contato com Daniel Vorcaro inicialmente. Mas foi desmentido com áudio em que pede dinheiro para Vorcaro. Teve recuar e acabou admitindo o contato. O áudio foi divulgado pelo site Intercept Brasil.
Flávio até agora não prestou contas dessa dinheirama, apesar de prometer fazê-lo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indicado por Jair Bolsonaro para o tribunal, não deu qualquer seguimento para apurar esse caso grave e sentou em cima da investigação.
Para desviar o foco e blindar Flávio, ele foi para cima do ministro Alexandre de Moraes. Outros ministros, aliados de Mendonça, também citados no caso, não sofreram qualquer admoestação por parte do “terrivelmente evangélico”.











