Direção nacional do partido já manifestou apoio à recondução do atual presidente Davi Alcolumbre à Presidência do Senado
O Progressistas (PP), partido que deterá, na próxima legislatura, seis senadores, boicotou o ato de oficialização da candidatura do senador bolsonarista Rogério Marinho à Presidência do Senado realizado nesta quarta-feira (4).
A direção nacional do PP, através do senador Ciro Nogueira (PI), firmou posição de apoio à recondução do atual presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), isolando, com isso, aqueles que, como o bolsonarista Guilherme Derrite (SP), pretendem apoiar Marinho, que busca se sustentar com o apoio de 29 senadores eleitos pelo PL e 3 do Novo.
Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o movimento também desagradou setores da bancada que articulam a candidatura de Tereza Cristina ao comando do Senado, o que não é aceito por Marinho e outros bolsonaristas.
A senadora, ex-ministra da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL), tenta construir a candidatura com base numa rede de apoios alavancada pela bancada feminina e por políticos de centro, mas parte da oposição a pressiona para desistir agora e já declarar voto em Marinho. Ela resiste.
Por isso, senadores do PP se incomodaram com o lançamento da candidatura de Marinho (PL-RN), assim como com os ataques, supostamente desfechados por bolsonaristas, em banners e nas redes sociais, cobrando que a senadora sul-matogrossesnse desista de concorrer à chefia da Casa.
Há um acordo entre ela e Marinho para uma candidatura única contra a reeleição do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas eles não chegaram a um entendimento de quem deve ser o candidato. A ideia é que, em janeiro, o congressista considerado menos viável abra mão da disputa para que o outro concorra.
Senadores do PP afirmam que a pressão pela desistência da candidatura incomodou Tereza, em especial críticas nas redes sociais e banners espalhados pelas ruas cobrando que a senadora “pare de atrapalhar a oposição”.
Segundo dois congressistas do PP, a insatisfação da senadora não deve levar a uma mudança de votos na sigla a favor de Alcolumbre por enquanto. Se os ataques continuarem, entretanto, uma negociação com o candidato à reeleição na Mesa Diretora pode ser aberta.
A sigla terá seis votos na próxima legislatura e será um dos fiéis da balança por contar com integrantes que gravitam entre a base do governo do presidente Lula e a oposição.
Desses, dois são dados como certos em Alcolumbre, e dois, na candidatura da oposição. Os outros dois estão indecisos por pressão das próprias bases eleitorais, relação de amizade com o presidente do Senado e indefinição sobre quem serão os candidatos.
A bancada do PL se reunirá nesta quarta para definir a estratégia para a eleição para o comando do Senado, que ocorrerá em 1º de fevereiro. O ato também deve contar com a participação do Novo e de senadores de oposição de outros partidos que pretendem declarar voto em Marinho. Mas, diante desse descontentamento do Progressistas, a reunião, certamente, não será conclusiva.
Em entrevista a jornalistas, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou na terça (3) ser “absolutamente legítimo” que Tereza Cristina se lance candidata e que, mais próximo às eleições, o bloco de oposição ao atual chefe do Senado poderá avaliar qual candidatura tem o que chamou de mais densidade eleitoral na disputa. “Não tenho a menor dúvida que haverá uma composição no final”, disse.
“Tereza Cristina participa das conversas do nosso núcleo, da oposição, inclusive de forma mais assídua, desde antes do primeiro turno das eleições. A senadora é uma liderança feminina importantíssima para o projeto da direita e certamente por isso ela tem espaço garantido junto a todos nós”, completou Portinho.
Na avaliação dele, o PL terá uma composição mais favorável para enfrentar Alcolumbre do que em 2023. O partido elegeu a maior bancada para a Casa a partir de 2027.
O voto para a Presidência do Senado é secreto, mas parte da oposição defende que os senadores divulguem as cédulas de votação antes de depositá-las nas urnas. A ideia é que a pressão popular constranja os eleitos pela direita e evite um voto escondido em Alcolumbre, criticado por travar o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e auxiliado na vitória de Lula.
Já o presidente do Senado aposta em apoios de integrantes da oposição e em senadores de direita eleitos por partidos do centrão, mas com quem mantém boas relações. A federação formada por PP e União Brasil já declarou apoio à reeleição do congressista, em um movimento para esvaziar Tereza, mas os senadores dos dois partidos não foram consultados previamente e evitaram endossar publicamente a nota.
Alcolumbre cobrava o anúncio de PP e União Brasil para destravar a adesão de outras legendas, como MDB, PSD e PT. Ele conta também com ajuda do governo Lula para evitar que a Presidência do Senado caia nas mãos da oposição por dois anos.
Já na Câmara, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já reuniu apoio de partidos do centrão e do campo progressista, como o PT, PSB, PDT, PCdoB e PV. O movimento de se antecipar se deu justamente para tentar esvaziar a possibilidade de o PL conseguir articular uma candidatura competitiva.
O número de congressistas que integram legendas pró-Motta chegou a 361 – mais da metade dos 513 deputados e número maior que os 257 votos necessários para reelegê-lo.










