Ela votou contra o fim da escala escravista 6×1. Deputada do PL, reeleita em Santa Catarina, saiu às ruas com relho, bateu o objeto no chão e provocou forte reação nas redes
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) comemorou a reeleição com cena que provocou forte reação nas redes digitais: empunhando chicote, ou relho, durante caminhada entre apoiadores pelas ruas de Santa Catarina.
Em vídeos publicados após a apuração, ela aparece ajoelhada, agradecendo pelos 560.223 votos, e depois bate o objeto no chão enquanto é acompanhada por buzinaço.
A votação transformou Zanatta na deputada federal mais votada da história de Santa Catarina, com 13,15% dos votos válidos. Em 2022, quando conquistou o primeiro mandato, ela havia recebido 111.588 votos.
Em um dos vídeos, a parlamentar diz: “Não pisa no meu relho”.
Questionada sobre a escolha do objeto, apresentou justificativa diferente das interpretações que circularam nas redes. “Em Santa Catarina, usamos a expressão ‘foi de relho’ para falar de uma vitória expressiva. Foi uma brincadeira com essa expressão”, afirmou ao Poder360.
A explicação não convenceu quem já conhece o comportamento pró-violência contra os adversários da parlamentar bolsonarista.
Ela já atacou Lula. Em 2023 a parlamentar viralizou ao postar uma imagem em que segurava uma arma e vestia uma camisa com uma mão com quatro dedos alvejada por três tiros. No texto da publicação, ela tecia críticas ao governo de Lula.
CONTRA O TRABALHADOR DESCANSAR 2 DIAS
Por sinal, ela é violentamente contrária ao fim da escala 6×1, com 2 dias de descanso para o trabalhador.
Defesa melhor do sistema de escravidão contra os trabalhadores não poderia existir.
Ela apresentou uma emenda à PEC do fim da escala de trabalho 6×1 para instituir um período de transição de no mínimo 12 anos para que, se aprovada, a redução de jornada seja integralmente implementada. A mudança também condiciona os efeitos da norma ao desempenho econômico nacional.
Pelo texto da deputada, a transição prevê a redução de uma hora da jornada nacional de trabalho a cada três anos. Desta forma, se aprovada em 2026, a meta de 40 horas semanais seria atingida só em 2038.
Felizmente sua emenda foi rejeitada.
MEMÓRIA DA ESCRAVIDÃO
A deputada tornou-se conhecida pelo uso de coroa ou tiara de flores, que críticos já relacionaram à estética nazista.
Zanatta nega qualquer vínculo com o nazismo e afirma que o acessório representa a feminilidade e faz referência à cultura germânica e à Oktoberfest.
O tema chegou à Justiça. Em 2025, o influenciador Felipe Neto tornou-se réu em ação movida por Zanatta depois de publicar conteúdo associando a tiara de flores ao nazismo.
A defesa da deputada sustentou que a publicação buscava atingir a reputação da parlamentar; a defesa de Felipe Neto afirmou que o recebimento da queixa não representava julgamento definitivo do mérito.











