Caminhoneiros autônomos denunciam boicote à MP do governo que garante piso do frete

Comissão mistra foi instalada no último dia 6. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Lideranças dos caminhoneiros autônomos ameaçam deflagrar uma greve nacional caso não avance no Congresso a Medida Provisória (MP 1.343/2026), que trata da tabela do frete. Embora esteja em vigor, a medida corre o risco de perder a validade caso não seja votada pelos parlamentares. Além disso, o texto também é alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Entidades que representam a categoria acusam parlamentares e setores ligados ao agronegócio e à indústria de atuarem para impedir a tramitação da proposta e evitar um aumento nos valores pagos aos transportadores autônomos.

A MP estabelece pisos mínimos para o transporte rodoviário de cargas e prevê a fiscalização eletrônica pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), com o objetivo de garantir o cumprimento da tabela do frete e evitar a redução da remuneração dos caminhoneiros.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, Wallace Landim, o Chorão, presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), afirmou que esses setores “estão fazendo um boicote à MP para atingir diretamente os transportadores autônomos”.

“Esquecem que representamos 62% do transporte rodoviário de cargas do país. Já estamos mobilizados. Se o texto não virar lei, vamos parar em todo o país”, afirmou.

Landim também acusou grandes conglomerados agrícolas voltados ao comércio exterior, as chamadas tradings, de prejudicarem os autônomos para favorecer a contratação de transportadoras de grande porte.

“Estão criando esse monopólio, esse boicote à categoria. Recebi muitas ligações da região Centro-Oeste de pessoas que não estão conseguindo trabalhar. Por isso, a mobilização é nossa única forma de reagir”, disse.

Tanto a MP, editada pelo governo Lula em março deste ano e com vigência imediata, quanto a fiscalização eletrônica da tabela do frete – implantada recentemente para assegurar o pagamento dos valores mínimos no transporte de cargas – atendem a reivindicações históricas dos caminhoneiros. No entanto, sob forte pressão de representantes do agronegócio e da indústria no Congresso, a medida, válida até 16 de julho, corre o risco de caducar caso não seja aprovada pela Câmara e pelo Senado.

A comissão mista do Congresso responsável por analisar a MP foi instalada na semana passada e tem como relator o deputado Zé Trovão (PL-SC). Após a aprovação do parecer, a proposta ainda precisará ser votada nos plenários da Câmara e do Senado até 16 de julho para não perder a validade. Até o momento, a matéria já recebeu 427 emendas parlamentares.

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