O primeiro debate entre candidatos ao governo do Rio de Janeiro, realizado pela Band na noite deste domingo (9), foi marcado por ataques envolvendo segurança pública, corrupção e supostas relações entre políticos e organizações criminosas. No centro das acusações, porém, esteve uma tentativa de Douglas Ruas (PL) de se desvincular do grupo político que comandou o estado nos últimos anos.
Ruas é apoiado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) e integra o grupo político do ex-governador Cláudio Castro (PL). Antes de disputar o governo, ele ocupou a Secretaria de Cidades na gestão de Castro. Também é ligado ao ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso pela Polícia Federal sob suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
Durante o debate, no entanto, Ruas evitou associar sua candidatura à gestão de Castro e a Bacellar. Questionado por William Siri (PSOL) sobre se negociaria com o crime organizado, após a prisão de Bacellar, o candidato do PL não respondeu diretamente à pergunta e mudou o foco para a política de segurança pública.
Ruas afirmou que a adoção do sistema de metas na segurança representou um retrocesso e defendeu um programa para garantir assistência jurídica aos policiais. Segundo ele, o indicador de “letalidade violenta” teria criado dificuldades para agentes que, de acordo com sua versão, passaram a responder por homicídios mesmo quando teriam agido em legítima defesa.
A resposta veio depois de uma provocação de Siri sobre a relação entre o candidato do PL e o grupo político que esteve à frente do estado. Ao longo do debate, os ataques a Castro, Bacellar e Ruas continuaram.
“A situação está tão complicada que os bandidos estão no governo”, afirmou Anthony Garotinho (Republicanos).
Mesmo diante das críticas, Ruas não mencionou sua passagem pelo governo Castro ao defender suas propostas. O candidato afirmou que seu principal indicador de uma eventual gestão seria a retomada de territórios dominados pelo crime organizado.
“Precisamos devolver a liberdade econômica para as pessoas que moram nessas comunidades. Não é possível que essas pessoas não tenham garantido o seu direito de ir e vir”, declarou.
A relação de Ruas com o grupo político de Castro, porém, não é apenas uma aproximação eleitoral. Ele foi secretário de Cidades durante a administração do ex-governador, antes de lançar sua candidatura ao Palácio Guanabara. A campanha do candidato também conta com o apoio de Flávio Bolsonaro.
CRIME ORGANIZADO
As acusações sobre relações entre políticos e organizações criminosas dominaram parte do confronto. André Marinho (Novo) afirmou que o principal problema do Rio não é a falta de recursos, mas a corrupção.
“O problema do Rio de Janeiro não é falta de dinheiro, é excesso de ladrão”, disse.
William Siri, por sua vez, atacou diretamente o PL. “O PL está organizando o crime no RJ”, afirmou o candidato do PSOL, que também acusou a extrema direita de organizar organizações criminosas no estado.
Garotinho também fez críticas às alianças políticas dos adversários.
“São duas candidaturas colocadas que defendem uma das três organizações criminosas do Estado. O estado tem o tráfico, o estado tem a milícia e o estado tem a Alerj”, afirmou.
O ex-governador citou ainda pessoas ligadas a diferentes grupos políticos e declarou que haveria figuras capazes de influenciar a vida dos moradores do estado.
Ausente do debate, Eduardo Paes (PSD), candidato mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto, foi o principal alvo dos adversários. O ex-prefeito alegou que, por orientação jurídica, só participará de debates e sabatinas após o início oficial da campanha e a confirmação dos registros das candidaturas pela Justiça Eleitoral, em 16 de agosto.
EDUCAÇÃO E SAÚDE
Na educação, William Siri prometeu ampliar o ensino integral e construir 30 Cieps nos primeiros seis meses de governo, seguindo o modelo implantado durante os governos de Leonel Brizola.
Douglas Ruas, por sua vez, defendeu a criação de 200 escolas cívico-militares como estratégia para melhorar o desempenho do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Na saúde, Garotinho e Siri defenderam o fim da utilização de organizações sociais (OSs) na administração de unidades públicas.
“É tudo negociado e superfaturado”, afirmou Garotinho.
Siri também prometeu criar um Complexo Industrial da Saúde para fortalecer a produção do setor no estado.
O debate, realizado nos estúdios da Band, em Botafogo, teve três blocos. No primeiro, os candidatos responderam a uma pergunta da produção e depois fizeram questionamentos entre si. No segundo, responderam a perguntas de jornalistas e voltaram a se confrontar. O terceiro foi reservado às considerações finais.











