Carluxo despeja rios de dinheiro, mas continua em terceiro na corrida ao Senado em SC

O filho "02" de Bolsonaro (Foto: Evaristo Sá - AFP)

Carlos Bolsonaro já comprometeu R$ 2,95 milhões, todos com recursos públicos do fundo eleitoral

Carlos Bolsonaro (PL), o “Carluxo”, é até o momento o candidato ao Senado que mais gastou na disputa em Santa Catarina. Dados da prestação de contas entregue à Justiça Eleitoral mostram R$ 2,95 milhões em despesas contratadas, acima dos valores declarados pelos demais principais concorrentes às 2 vagas em disputa no Estado.

Na terceira posição, o interessante é que se a eleição fosse amanhã, ele estaria sem mandato parlamentar. Portanto, seria rotunda derrota para o bolsonarismo em geral e em particular para o clã.

O detalhe é que o dinheiro utilizado pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vem integralmente do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha), o chamado fundo eleitoral.

Carlos recebeu R$ 4,3 milhões do PL em 2 repasses de R$ 2,15 milhões cada e, até a última prestação parcial, não havia declarado doações de pessoas físicas nem recursos próprios.

COMUNICAÇÃO LEVA R$ 2 MILHÕES

A maior fatia da campanha está concentrada na comunicação. Carlos contratou a Ventura Estúdio por R$ 1 milhão para produção de rádio, televisão e vídeo.

Outros R$ 500 mil foram destinados à Forma Consultoria em Marketing e mais R$ 500 mil à Reditus Comunicação. Ambos os contratos de R$ 500 mil foram confirmados pela prestação de contas ao TSE.

A estratégia reúne profissionais com experiência anterior em campanhas catarinenses. Fábio Veiga, da Forma, trabalhou em campanhas do ex-governador Raimundo Colombo, enquanto Nelson Santiago, da Reditus, foi secretário de Comunicação do governo estadual.

Colombo declarou apoio à então presidente Dilma Rousseff (PT) na eleição de 2014: “Vou ajudá-la na reeleição. (…) Sou grato pela parceria”, afirmou à época.

Outro gasto expressivo, de R$ 605,4 mil, foi destinado à produção de adesivos, santinhos e folhetos. Há ainda R$ 150 mil pagos à empresa de Concórdia para organizar reuniões, passeatas e carreatas pelo Estado.

A própria natureza desse último contrato ganhou repercussão porque Carlos enfrenta críticas até de correligionários do próprio partido por ter construído a carreira política no Rio de Janeiro e somente posteriormente transferido o domicílio eleitoral para Santa Catarina.

“NÃO PRECISAM DE GPS”

A contratação da empresa de Concórdia foi usada como provocação política por adversários. Segundo o Jornal Razão, candidatos como Esperidião Amin (PP), que quer renovar o mandato, e Antídio Lunelli (MDB) ironizaram a presença de Carlos no Estado, em referência à origem carioca dele.

A empresa contratada, chamada GPS, ficou responsável pela organização de eventos da candidatura.

Carlos, por sua vez, afirma que Santa Catarina “sempre” foi a casa dele e declarou ainda ter “renascido” politicamente no Estado. A candidatura também enfrenta resistência dentro do próprio campo bolsonarista catarinense.

DINHEIRO PÚBLICO E DISPUTA ACIRRADA

O volume de despesas ocorre numa disputa em que Carlos aparece entre os nomes mais conhecidos, mas os levantamentos de intenção de voto registram diferentes posições entre os candidatos.

Pesquisa divulgada em 17 de setembro pelo Real Time Big Data, por exemplo, apontou Carol de Toni (PL), com 24%, Esperidião Amin e Carlos Bolsonaro com 20% cada, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

Em levantamento Rumo divulgado posteriormente, Carlos apareceu com 15%, atrás de Amin e Carol de Toni. A pesquisa ouviu 2.100 eleitores entre 18 e 20 de setembro e foi registrada no TSE sob o número SC-05523/2026.

No ambiente digital, porém, Carlos não é quem mais investiu entre os principais candidatos ao Senado. Levantamento baseado na Biblioteca de Anúncios apontou Caroline de Toni com R$ 797,8 mil em impulsionamento, seguida por Antídio Lunelli, Décio Lima (PT), Esperidião Amin e Carlos, com R$ 151,3 mil.

Os números da prestação de contas são parciais e podem mudar até a entrega final das contas eleitorais. Portanto, o retrato atual mostra apenas os gastos declarados até a última atualização disponível.

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