Centenário de Eduardo de Oliveira é celebrado em homenagem na Assembleia Legislativa de SP

Sessão solene da Alesp celebrou o centenário de Eduardo de Oliveira - Foto: Divulgação/CNAB

A Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) recebeu, na noite desta quinta-feira (6), uma homenagem ao centenário do Professor Eduardo de Oliveira. Realizada pelo Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) e pela deputada estadual Leci Brandão (PCdoB), o evento celebrou a data em que o advogado, jornalista e político histórico completaria 100 anos.

Eduardo de Oliveira se destaca pela defesa da democracia e da liberdade do negro e do Brasil. Ele, que morreu em 12 de junho de 2012, foi o primeiro vereador negro na Câmara Municipal de São Paulo.

aos 16 anos, Eduardo compôs o “Hino 13 de Maio”, posteriormente denominado “Hino à Negritude”, que se tornou lei federal em 2014. É autor de obras como Banzo (1965), Gestas Líricas da Negritude (1967) e Evangelho da Solidão (1970). Historiadores e ativistas o apontam como uma das figuras centrais para a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, em 2010. 

Carlos Lopes, Rosina de Jesus, Irapuan Santos, Ubiraci Dantas e Nathaniel Braia – Foto: Divulgação/CNAB

Ao longo de sua trajetória, fundou e presidiu o próprio CNAB e também ajudou a criar o Partido Pátria Livre (PPL).

A sessão solene, conduzida pelo presidente do CNAB, Irapuan Santos, após a execução do Hino Nacional e do Hino à Negritude, ocorreu a exibição do vídeo Negritude e Ação, sobre o professor. Também foi exibido o vídeo com o poema “Banzo”, uma das sua mais belas obras, dedicado a Patrice Lumumba, de autoria de Eduardo de Oliveira.

As intervenções contaram com um vídeo da deputada Leci Brandão (PCdoB), além da presença de Carlos Lopes, vice-presidente do PCdoB, Ubiraci Dantas (Bira), vice-presidente da CTB, Rosina de Jesus vice-presidente da secretária de Combate ao Racismo do PCdoB, Luna Martins presidente da União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES), Nathaniel Braia, vice-presidente do Sindicato dos Escritores, Karina Sampaio presidente da Federação das Mulheres Paulistas (FMP), Valério Bemfica presidente do CPC-UMES, Lídia Corrêa do Movimento Contra Carestia e Alfredo Neto, ex-presidente do CNAB.

Irapuan destacou a importância de celebrar este centenário do professor, de um homem honrado que lutou muito pelo Brasil, pelo povo negro. Ele defendeu que neste momento é fundamental que possamos resgatar quem construiu nossa pátria, quem lutou por ela, que seja inspiração para o futuro. É preciso celebrar Eduardo, que foi um exemplo de ser humano e é um exemplo de brasileiro.

Leci que não pode estar presente, gravou um vídeo para celebrar a data, onde relembrou que o mandato realizou uma atividade e sessão solene em 2019, com muito orgulho, em que é preciso levar seu legado de luta.

Carlos Lopes falou sobre sua amizade, inspiração e grandeza que o professor transmitia. As pessoas de grandeza como é o caso de Eduardo, que deixam alguma coisa neste mundo, tornam-se imortais, com toda sua obra, todo seu legado, toda sua luta contra o racismo, que é o obstáculo que nós temos a completar a formação da nossa nacionalidade.

Bira disse que hoje, diante dos desafios que enfrentamos no país, com a ascensão de discursos fascistas e a perseguição que se intensificou nos últimos anos, sente profundamente a falta do professor Eduardo. Para o sindicalista, o professor certamente estaria na linha de frente das lutas, combatendo os inimigos do povo, os banqueiros que drenam mais de R$ 1 trilhão em juros, recursos que deveriam ser investidos em educação, tecnologia e no futuro da nossa juventude e do nosso povo.

Veja a celebração na íntegra:

Nathaniel Braia em seu discurso em homenagem ao professor Eduardo de Oliveira, destacou sua trajetória como figura central na luta política e no movimento negro brasileiro, onde ressalta seu legado de ativismo, o hábito de difundir conhecimento através da leitura e sua visão sobre a unidade nacional e a soberania do país. Braia fez um paralelo entre a trajetória de resistência, empatia e a luta pela nacionalidade brasileira defendidas pelo professor e a necessidade atual de união contra o fascismo e o racismo.

Dessa mesma forma, Karina afirmou que o professor Eduardo foi um homem firme, compatível e incansável em sua luta. A sua trajetória contra o racismo e a luta por justiça social era o seu legado, mas que carregava uma sensibilidade e uma ternura imensa, onde foi com essa mesma sensibilidade que escreveu Hino da Negritude, uma obra que emociona, inspira e reafirma o orgulho da nossa história e da nossa identidade.

A dirigente da UMES, Luna Martins disse que a contribuição do professor para a educação é necessária dada a novidade, fazendo alusão sobre a luta do velho e o novo dentro da nossa sociedade, dentro das nossas fileiras, das nossas entidades representativas, em que o professor Eduardo era, com certeza, uma figura que representava o novo, que representava tudo que nós sabemos que é novo e tudo que a gente quer para uma nova sociedade. Seu exemplo de luta e diálogo permanece vivo como uma inspiração para as novas gerações e para a construção de um novo mundo.

Foto: Divulgação/CNAB

Valério dedicou seu discurso a figura de Eduardo, falando sobre seu legado, de uma figura histórica que, apesar de sua origem humilde, superou o racismo estrutural para se tornar um intelectual, poeta e um dos pilares do movimento negro no Brasil. O presidente do CPC falou da importância do professor na fundação de importantes entidades, como o Movimento Negro Unificado (MNU) e o próprio CNAB, além de enfatizar sua doçura, generosidade e a força de sua luta, sendo um homem que lutou incansavelmente contra o racismo e deixou um legado transformador.

Rosina, que também é assessora de Leci Brandão na ALESP, afirmou sobre a importância de resgatar e preservar a memória histórica negra frente às constantes tentativas de apagamento cultural e social que vemos hoje na sociedade. Para Rosina, o professor foi um visionário ao denunciar o racismo estrutural do país em uma época que pouco se discutia, além de organizar as lutas da classe trabalhadora na luta pela democracia, pela soberania e contra o retrocesso. O legado de figuras como Eduardo é fundamental para a construção de um país mais igualitário e para a afirmação da existência do povo negro.

Lídia Corrêa prestou uma homenagem ao professor, onde falou da  inspiração pessoal e política que o professor teve na vida dela. Ela relembrou sua energia, cultura, onde era muito determinado na luta antirracista mesmo após os 80 anos. Lídia encerrou com a declamação de um trecho do poema “Protesto”, de Carlos Assumpção, que simboliza a força e a resistência defendidas pelo professor Eduardo.

Alfredo em um tom emocionado, falou sobre a relação de amizade e aprendizado com o homenageado desde a infância, onde ressaltou a importância de manter viva a luta política como forma de honrar a memória de Eduardo. Para Alfredo, é fundamental seguir na batalha pela democracia, soberania nacional e libertação do povo brasileiro, seguindo os ideais deixados pelo professor Eduardo.

TIAGO CÉSAR

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