Dirigentes das centrais sindicais CTB, CUT, Força Sindical, UGT, CSB e NCST entregaram um documento conjunto ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, com propostas para enfrentar os efeitos do tarifaço imposto por Donald Trump.
Em reunião, realizada sexta-feira (31), em São Paulo, as entidades propuseram medidas no sentido de preservar os empregos, e investimento no desenvolvimento produtivo nacional.
“Diante do agravamento da guerra comercial desencadeada pelas novas medidas protecionistas do governo dos EUA, as centrais sindicais expressam preocupação com os múltiplos impactos sobre a economia nacional, os empregos e a soberania produtiva e política do Brasil”, afirmam.
O documento apresenta propostas pelo fortalecimento da produção nacional, ampliação dos investimentos públicos, incentivo ao conteúdo local, fortalecimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e proteção permanente dos empregos.
Além disso, também defendem o fortalecimento da organização sindical e da negociação coletiva, da abertura de novos mercados e do Mercosul.
Entre as propostas apresentadas, as centrais destacam que a manutenção das vagas de trabalho seja exigência para empresas acessarem programas de socorro oferecidos pelo governo federal.
“O ‘tarifaço de Trump’ iniciado em 2025 e agora agravado é expressão de uma disputa global por hegemonia econômica e tecnológica. Essa disputa atinge o Brasil de forma direta e indireta, pressionando setores industriais estratégicos, intensificando a desindustrialização, desorganizando cadeias produtivas e ameaçando milhares de postos de trabalho. Diante desse cenário, é necessário buscar alternativas, construir novos caminhos e abrir outras possibilidades”, prossegue o documento.
Segundo as centrais, “é fundamental continuar o fortalecimento e aprimoramento do nosso projeto de desenvolvimento com inclusão e justiça social — um projeto que inova nas escolhas estratégicas, reduz nossas vulnerabilidades, enfrenta a concorrência predatória e cria mecanismos de proteção frente à instabilidade externa”.
As centrais ressaltam que esse é o momento para aprimorar esse modelo de desenvolvimento, que “deve estar estruturado na geração e proteção de empregos, no combate à precarização do trabalho e no fortalecimento da capacidade de consumo das famílias por meio da valorização da renda do trabalho”.
“O país deve continuar promovendo respostas firmes, responsável e coordenada, ampliando nossa cooperação internacional e fortalecendo a capacidade interna de produzir e consumir”, diz o documento, que também apoia “a postura altiva e soberana adotada pelo Governo Federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, bem como os posicionamentos e iniciativas do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, entre elas, a aprovação da Lei de Reciprocidade Econômica”, afirmam as entidades.
Entre as principais propostas apresentadas pelas centrais sindicais estão:
- estimular a produção nacional por meio das compras públicas e da política de conteúdo local;
- fortalecer o investimento público em infraestrutura social e produtiva, incluindo transporte, energia, habitação, saúde e educação, com encadeamentos na indústria nacional;
- fortalecer o BNDES e os bancos públicos como indutores do investimento produtivo;
- revisar a Lei de Patentes para combater abusos de propriedade intelectual que impedem a produção nacional;
- garantir a proteção dos empregos como requisito para acesso aos programas de enfrentamento dos impactos das medidas protecionistas, com fundos de compensação e programas de transição destinados aos trabalhadores afetados pelo comércio internacional;
- fortalecer a organização sindical para assegurar a negociação coletiva diante de mudanças estruturais nos setores impactados pela concorrência externa;
- estabelecer estratégias e metas para ampliar mercados e consolidar novas cooperações econômicas;
- revisar criticamente acordos internacionais que fragilizem a indústria nacional e os direitos dos trabalhadores;
- fortalecer o Mercosul como instrumento de integração econômica e desenvolvimento regional.











