‘Combate ao crime’ pelos bolsonaristas é pura balela. Flávio não passa de braço político das facções

Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução de redes sociais)

Já tinha ligações antigas com as milícias e agora vieram à tona vínculos profundos de seu grupo político com o Comando Vermelho

Os discursos do candidato fascista ao Planalto são repletos de frases pomposas dizendo que ele vai combater os criminosos com rigor e que o governo Lula não faz isso adequadamente. As operações quase semanais da Polícia Federal contra o crime organizado são um desmentido categórico a tudo o que o traíra e vende-pátria diz sobre o governo na campanha.

MENTIRA SOBRE MENTIRA

Aliás, essa é apenas mais uma mentira de Flávio, junto com todas as outras coisas ditas por ele, como por exemplo, a mais recentes delas, a que ele nunca tinha conversado com o banqueiro ladrão, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Jurou de pés juntos que nunca tinha estado e nem nunca tinha visto o banqueiro ladrão. Tentava cinicamente jogar o escândalo que desviou bilhões dos cofres públicos pelo Banco Master para o colo de Lula.

Mas, a máscara caiu feio. Ele foi flagrado num áudio, obtido pela Polícia Federal, pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro criminoso que causou o maior escândalo financeiro da história do Brasil. E o pior é que ele continuou mentindo. Jurou na TV que não sabia que o banqueiro era criminoso. Sabia sim. Até porque, logo em seguida veio à tona mais uma bomba. O senador tinha ido à casa do banqueiro pedir mais dinheiro, quando Vorcaro já estava usando tornozeleira eletrônica.

Flávio recebeu dinheiro de Vorcaro (reprodução)

Ou seja, ele já tinha sido preso e estava em prisão domiciliar. Flávio não só sabia, como estava envolvido diretamente no desvio bilionário que prejudicou milhões de servidores, aposentados e o BRB, banco público de Brasília. Flávio embolsou R$ 61 milhões que Vorcaro roubou do país e ate agora não explicou para onde foi esse dinheiro. Aliás, outra mentira. Disse que não havia dinheiro público envolvido.

Portanto, Flávio não vai combater crime algum, porque ele é o próprio crime. Está envolvido até o pescoço com a criminalidade, de alto a baixo. Da cobertura à favela. Suas ligações com as milícias do Rio de Janeiro são bastante conhecidas. Vejam o caso, por exemplo, do assassino profissional, Adriano da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras, Zona Oeste do Rio. Ele era íntimo de Flávio e foi homenageado por ele, quando este era deputado estadual.

MEDALHA TIRADENTES

O pistoleiro, que depois morreu na Bahia, numa provável queima de arquivo, recebeu a medalha Tiradentes, maior honraria do Rio de Janeiro, diretamente das mãos do então deputado estadual, Flávio Bolsonaro. Ele foi entregar a medalha pessoalmente ao assassino dentro da cadeia. Adriano estava preso pelo assassinato covarde de um ‘flanelinha’ (limpador de carro) que denunciou a ação de extorsão da milícia contra os moradores da região.

Além da homenagem que Flávio fez ao assassino e chefe da milícia de Rio das Pedras, ele também contratou a mãe e a mulher do assassino em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Elas eram funcionárias fantasmas, ou seja, não trabalhavam e recebiam “salário” no famoso esquema das rachadinha do gabinete de Flávio.

Empregou a mãe e a mulher do pistoleiro e chefe de milícia (reprodução)

As duas repassavam parte de seu salário para o deputado, através do atravessador Fabrício Queiroz, e para o miliciano. A polícia avaliou na época que este era um dos esquemas de lavagem de dinheiro da milícia. Após intensa atuação do então presidente Jair Bolsonaro para acobertar o filho, o processo contra Flávio foi interrompido. A alegação foi a de que só o Supremo Tribunal Federal poderia julgá-lo.

Adriano da Nóbrega chefiava o Escritório do Crime, uma espécie de central de assassinatos por encomenda das milícias do Rio de Janeiro. Este mesmo Escritório do Crime foi responsável, através de Ronnie Lessa, comparsa de Adriano, pelo assassinato encomendado da vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

Só com essa ficha corrida já seria evidente que toda essa conversa fiada de que o bolsonarismo vai ser duro contra o crime não passa de pura demagogia. Mas, é só analisar os índices de criminalidade nos principais estados administrados pelo bolsonarismo para constatar que essa conversa não passa de balela. No Rio o crime organizado ocupou grandes espaços na máquina de Estado e, em São Paulo, o PCC atua tranquilamente sem ser molestado.

TENTARAM PARAR A PF

Não a toa, o candidato bolsonarista ao Senado, Guilherme Derrite, atuou contra a Polícia Federal na discussão da lei antifacção do presidente Lula. Ele queira impedir o arresto de bens dos criminosos e atrapalhar a ação da PF nos estados. As facções aplaudiram a atuação do bolsonarista. Felizmente o Senado derrubou as medidas pró-crime do político paulista.

Mas, o crime organizado e seu braço político não se cansam. Há evidências que vieram a público mais recentemente mostrando que Flávio tem vínculos, não só com as milícias, mas diretamente também com pessoas vinculadas às facções do crime organizado no Rio de Janeiro. Um exemplo é o ex-deputado cassado, Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), aliado íntimo de Flávio e preferido dele para ser candidato ao governo do estado. Pois Bacellar acabou preso por ligações profundas com o Comando Vermelho.

Reunido com Rodrigo Bacellar, preso por ligações com o CV (reprodução)

Flávio indicou também dois secretários de Estado para o governo do Rio de Janeiro, na gestão de Cláudio Castro, outro político cassado por corrupção. Esses dois indicados de Flávio Bolsonaro também foram presos por ligações com o Comando Vermelho.

COMANDO VERMELHO

O primeiro foi o Secretário Estadual de Esportes do Rio de Janeiro, Alessandro Pitombeira Carracena. Pois bem, este “cidadão” também foi preso durante a Operação Anomalia, da Polícia Federal, por ligações com o Comando Vermelho. E o segundo foi o secretário de Defesa do Consumidor, Gutemberg Fonseca. Mais um indicado de Flávio que também acabou sendo preso por suas ligações com a facção criminosa do Rio de Janeiro.

Pois bem. Alguém pode cair na conversa mole de que um político com essa folha corrida, com esse histórico e com esses vínculos com o crime organizado, vai combater alguma criminalidade? É claro que não. O que eles pretendem é levar o crime organizado, que já ocupou postos importantes no Rio de Janeiro, a ocupar também cargos chaves no Palácio do Planalto. É, portanto, uma grande falácia essa história de que Flávio Bolsonaro vai combater o crime no Brasil. Ele é o crime e, agora, mira em se apoderar do poder federal para ampliar seu raio de ação.

SÉRGIO CRUZ

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