Conluio entre clã Bolsonaro e Trump eleva em mais 12,5% as tarifas contra o Brasil

Flavio Bolsonaro pede a Trump que sancione o Brasil (Foto: reprodução de rede social de Trump)

Os EUA, que superexploram a mão de obra de imigrantes ilegais, acusam o Brasil de possuir “trabalho forçado”. O Brasil, ao contrário dos EUA, combate com rigor o trabalho escravo

O governo dos Estados Unidos inventou, nesta terça-feira (2), uma narrativa de que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O pretexto foi usado pela Casa Branca para impor tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Na véspera o governo americano já tinha imposto tarifas de 25% ao Brasil.

A decisão foi anunciada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês). Ela se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo dos EUA conduz uma investigação contra os países depois estabelece “punições” que vão desde sanções a tarifas comerciais.

A hipocrisia é tamanha que eles usaram o mesmo texto utilizado para fundamentar a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. Segundo o relatório, a prática desses países seria “irracional” e restringiria o comércio dos EUA ao criar uma concorrência desleal para as empresas e trabalhadores americanos.

As decisões que afetam a economia brasileira foram tomadas na esteira de reuniões entre membros do governo e integrantes da família Bolsonaro que faz um trabalho persistente dentro dos Estados Unidos contra o Brasil. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro estiveram recentemente com Donald Trump para pedir ao presidente norte-americano que sancionasse o Brasil.

Em seguida a casa Branca informou sobre a sobretaxação de produtos brasileiros no mercado americano. No mesmo dia em que o Brasil foi atingido pelo novo tarifaço, Trump divulgou foto em sua rede social da reunião com os conspiradores brasileiros.

Mesmo o Brasil tendo um déficit comercial de US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos com os EUA, o país foi classificado como tendo “vantagens indevidas” nas trocas comerciais com os EUA.

Veja as sobretaxas impostas pelos EUA:

10% de tarifa adicional para países que já possuem alguma proibição parcial ou que se comprometeram formalmente a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco.

São eles: União Europeia, México, Canadá, Indonésia, Paquistão e Equador.

12,5% de tarifa adicional para todas as outras economias investigadas que não apresentam regimes eficazes de controle. São eles: Brasil, China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina, Arábia Saudita, entre outros.

“A falha de nossos parceiros comerciais em lidar com a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável”, afirmou o embaixador Jamieson Greer. “Isso força os trabalhadores americanos a competir em um campo desigual. Não toleraremos mais”, afirmou o funcionário do governo e do país que utilizam mão de obra semi-escrava nas plantações americanas.

Em relação ao Brasil, a investigação concluiu que o país falhou em impor e fiscalizar uma proibição de importação de bens produzidos com trabalho forçado. Esta afirmação é mentirosa porque o Brasil tem um sistema de fiscalização do trabalho similar à escravidão muito mais duro e eficiente dos que os EUA. É verdade que seus aliados bolsonaristas tentaram destruir esse sistema de fiscalização mas ele foi retomado no governo Lula.

É com essa afirmação absurda e sem fundamento que a conduta do Brasil foi classificada pelo governo americano como irracional e prejudicial ao comércio norte-americano. O relatório deixa claro o cinismo e a defesa unilateral dos interesses dos EUA ao também falar de países europeus como Polônia e Espanha são citados como mercados de destino para exportações que concorrem diretamente com os produtos americanos.

A medida ainda passará por um período de consulta pública antes de ser implementada. O governo americano receberá comentários por escrito até o dia 6 de julho de 2026. No dia seguinte, 7 de julho, o USTR realizará audiências públicas para discutir as ações propostas.

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