“Contra a motosserra de Milei e o tesouraço de Flávio, Bora Lula!”, conclama Stella Calloni

Stella Calloni convoca os defensores da soberania e da democracia a se somarem com Lula (Composição)

Renomada jornalista e pesquisadora argentina reitera importância da reeleição de Lula para a defesa da soberania do Brasil e da América Latina. “Milei e Flávio querem a entrega dos nossos países, a privatização de tudo, governos fantoches aos EUA e a Israel, e isso jamais permitiremos”, sustenta

Às vésperas da eleição presidencial brasileira, Stella Calloni repudia “a motosserra de Milei e o tesouraço de Flávio Bolsonaro, que trabalham a serviço do imperialismo e do sionismo”. “Querem governos fantoches dos Estados Unidos”, denuncia a renomada jornalista e pesquisadora argentina, frisando que “nossos povos precisam alcançar o desenvolvimento e a justiça social, com distribuição de renda, e recuperar todos os direitos para garantir uma verdadeira democracia em um país soberano e independente”. Em entrevista exclusiva, Stella Calloni alerta sobre a tragédia em que foi mergulhada a Argentina com Milei, ídolo da família Bolsonaro, e conclama: “Bora Lula!”

LEONARDO WEXELL SEVERO

Na sua avaliação, qual o significado do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras do próximo domingo?

Assim como o pai, Flávio Bolsonaro sempre se inspirou na trágica figura de Javier Milei, um mero fantoche dos Estados Unidos. No caso da Argentina é ainda pior, pois é como se tivéssemos nos transformado em um palco teatral, onde um fantoche desvairado é manipulado, por trás das cortinas, por dois títeres, os EUA e Israel, com predominância deste último, já que Milei sempre declarou pertencer ao sionismo. Ele faz parte de uma seita sionista sediada nos Estados Unidos, liderada por rabinos sionistas que chegaram a enfrentar processos judiciais.

Pois bem, esse personagem sinistro surgiu com sua famosa “motosserra”, ideia de alguém que, na verdade, não passava de um comediante. Nem sequer era um economista sério; até hoje ninguém sabe onde obteve sua formação. Foi às ruas fazer propaganda com a motosserra e, assim que assumiu o governo, a colocou em prática. Muitos jovens, talvez, tenham se confundido e ele foi eleito. Surgiu com um movimento “libertário” — e digo “surgiu” porque nunca havia feito política antes, assim como Flávio Bolsonaro.

“Assim que assumiu, Milei colocou em pauta um ‘Decreto de Necessidade e Urgência’ com todo o projeto de destruição do país, ponto por ponto, inclusive o fim da Constituição”

Logo após assumir, em dezembro de 2023, ele colocou em pauta, dez dias depois, um “Decreto de Necessidade e Urgência” com todo o projeto de destruição do país, ponto por ponto, inclusive o fim da Constituição Nacional. Em seguida, enviou uma “lei de bases” para governar passando por cima das leis constitucionais. Tratava-se da entrega do país, por meio da privatização de tudo e da desregulamentação total, o que incluía a eliminação de todos os direitos adquiridos pelos cidadãos. O próprio Milei declarou: “Eu sou uma toupeira; sou uma toupeira dentro do Estado que veio para destruí-lo”. Admitiu também: “Sou o presidente mais sionista do mundo”, pois trabalha diretamente para Benjamin Netanyahu, apoiando-o em tudo o que é feito no genocídio em Gaza.

Daquele 20 de dezembro até hoje passaram-se quase três anos. Qual a marca que ficou?

O país foi destruído, simplesmente destruído. Falta apenas acabar com os sindicatos; a corrupção devorou tudo. O Congresso está paralisado, pois o governo não repassa às províncias os recursos que lhes são devidos e, assim, acaba comprando governadores que se encontram numa situação terrível. A pobreza atinge mais da metade das crianças e jovens argentinos. São 16 milhões de pessoas, em um país de 49 milhões de habitantes, vivendo na pobreza ou na indigência. As empresas mais importantes foram entregues; acabaram de privatizar até a companhia de água e destruíram os institutos de pesquisa científica. Milei destrói o Estado, inclusive por meio da corrupção: compra juízes e mantém a justiça submissa. Até agora controla os meios de comunicação, e a maior parte da publicidade que esses veículos recebem vem dos israelenses.

Há a denúncia da judicialização da política. Como foi feita?

Milei judicializou a política mantendo presa a ex-presidente da nação, Cristina Kirchner, por acusações absolutamente falsas; não há prova alguma contra ela.

A pobreza avança: são filas de 20, 30, 40 quarteirões de pessoas em busca de emprego. Fecharam 40.000 empresas, incluindo algumas das maiores do país. Ele persegue os aposentados, as pessoas com deficiência e os pobres; quer acabar com o sistema público de saúde e desfinanciar as universidades. Para Milei, a justiça não existe: ele emite um decreto e, se o Congresso quiser discuti-lo, já tem comprada parte dos políticos da oposição. Mas o ponto mais grave, e é preciso deixar claro para a população do Brasil, é que ele entregou o território: todo o sul do país, a Patagônia, o Atlântico Sul, a Antártida… Tudo isso foi entregue.

“É preciso deixar claro para os brasileiros que Milei entregou o território: todo o sul do país, a Patagônia, o Atlântico Sul, a Antártida… Tudo isso foi entregue”

Foi firmado, em junho de 2025, um acordo com Israel para a inserção de cerca de 200.000 colonos israelenses na Patagônia. E, em termos concretos, o embaixador dos Estados Unidos, Peter Lamelas, declarou dias atrás, em evento na província de Tucumán: “Quero dizer a vocês hoje que os Estados Unidos já estão aqui — já estão aqui! — e, portanto, vamos apoiar o presidente Javier Milei”. Acrescentou: “Quero anunciar que estamos presentes em todas as províncias do noroeste do país. Agora, vamos criar um corredor que vai dos Andes até o Atlântico”. Eles tomaram a via fluvial do rio Paraná e entregaram o controle da segurança ao Batalhão de Engenharia do Exército, vinculado ao Comando Sul. Ou seja, o Comando Sul está aqui; estamos entregues.

Agora quem detém o verdadeiro poder é Israel. Por isso, quem menciona a palavra “genocídio”, diz que há uma matança na Palestina ou fala em “sionismo” acaba demitido. A pressão sobre os meios de comunicação e outros setores é tremenda, facilitada pela presença de uma enorme comunidade, já com 200.000 pessoas. Além disso, para facilitar a compra de terras por investidores estrangeiros, oferece-se a chamada “cidadania dourada”, mediante o pagamento de 350.000 dólares. Os israelenses que chegam para morar na Argentina obtêm a nacionalidade logo de cara, por decreto já em vigor, e por isso milhares de pessoas estão chegando.

Nas suas exposições, a senhora sempre demonstra que é preciso distinguir o povo judeu dos sionistas.

Exato. Aqui, o povo judeu nunca foi perseguido; sempre vivemos em comunidade. Os que estão chegando agora, porém, são enviados do sionismo, e é preciso esclarecer que o sionismo fundamentalista não é a mesma coisa que a comunidade religiosa judaica. Nossas portas estão sempre abertas a todos que chegam, mas, enquanto a legislação atual persegue nossos vizinhos, como os bolivianos e os paraguaios, e busca expulsar todos os imigrantes, alertamos o povo brasileiro: o que está em jogo é a intenção de destruir todas as organizações sociais e políticas e todos aqueles que defendem a pátria. A pátria está sendo entregue; boa parte do nosso território foi cedida, e não sabemos como recuperá-la. É preciso ficar em alerta!

Peçam que suas Forças Armadas assumam uma postura patriótica e não entreguem o país, como está sendo feito na Argentina. Há muitas denúncias sobre a compra de armamentos terríveis, usados na repressão generalizada: aqui, qualquer conflito, até uma manifestação estudantil, é alvo de repressão brutal. Querem acabar com todos os sindicatos. Foram assinados, ainda, acordos secretos, desconhecidos pela população, mas já em vigor. E, diante dos protestos contra a compra massiva de armamentos, incluindo bombas de gás lacrimogêneo adquiridas de Israel, um novo decreto determinou que esses acordos, bem como outros pactos militares, jamais serão tornados públicos nem passarão pelo Congresso.

O silêncio dos grandes meios de comunicação vai se tornando evidente.

Nada do que lhe entregaram foi aprovado pelo Congresso. Toda essa movimentação para a compra de armas e as manobras no Atlântico Sul não podem ser contadas à população; nada disso aparece em lugar nenhum. Há muitos jornalistas cúmplices; é preciso acabar de vez com essa cumplicidade da mídia.

“Vamos evitar que o Brasil seja entregue, como a Argentina foi por esse personagem sinistro, um doente mental que apresenta sinais claros de insanidade”

Mas essa não é a luta principal; a luta é, desde já, em defesa da nossa pátria. É preciso evitar que o Brasil seja entregue, como a Argentina foi entregue por esse personagem sinistro, um doente mental, um homem que apresenta sinais claros de insanidade. Cogita-se, inclusive, abrir um processo de impeachment por insanidade, entre outras razões. Não sei nem como expressar a dor de uma cidadã argentina diante da entrega de sua pátria, sem que o povo esteja devidamente informado.

O comércio, os restaurantes… tudo está fechando. Ver um país dessa dimensão ser transformado em colônia, com a cumplicidade terrível do Judiciário e dos meios de comunicação, é uma dor imensa para toda a América Latina. Não podemos permitir que isso continue, pois estamos arrastando toda a nossa América para a tragédia que vivemos. Nossos povos precisam alcançar o desenvolvimento e a justiça social, com distribuição de renda, e recuperar todos os direitos para garantir uma verdadeira democracia em um país soberano e independente.

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