Contra fim da escala 6×1, senador bolsonarista defende jornada de 16 horas por dia

Foto: Aparecido Carmo/Gazeta Digital

No momento em que o Senado debate e está prestes a votar a PEC que reduz a jornada de trabalho semanal para 40 horas e o fim da escala 6×1, apoiadores de Flávio Bolsonaro eleitos para o parlamento no último domingo (4) já mostram a que vieram, como o ex-governador do Mato Grosso, Mauro Mendes (União), eleito senador, que defende jornada diária de até 16 horas. É quase a volta da escravidão no país depois de 138 anos da assinatura da Lei Áurea.

O recém-eleito defende, assim como o senador Flávio Bolsonaro, uma flexibilização das regras trabalhistas brasileiras para permitir jornadas diárias que possam chegar a 12, 14 ou até 16 horas.

“Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos”, afirmou, referindo-se àqueles brasileiros que vão para EUA na esperança de enriquecer ganhando em dólar e vivem perseguidos até serem enxotados do país por Donald Trump.

Mentindo descaradamente, Mendes afirma que, “no Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo”, disse Mendes. Na verdade, pelas regras da CLT, a jornada de trabalho no Brasil não deve ultrapassar 8 horas diárias, permitindo acréscimo de até duas horas extras, mediante acordo individual ou acordo coletivo, com a devida remuneração adicional. Em relação ao enquadramento como condição análoga à de escravo, ela só acontece em situações como trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes ou restrição de locomoção.

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