ELIAS JABBOUR*
A reunião do COPOM trouxe um resultado esperado. Manutenção da taxa de juros em 13,75%. Uma evidente decisão política após uma semana em que as vísceras da Autoridade Monetária foram expostas com o dado chocante de que o déficit primário brasileiro é um dos MENORES DO MUNDO enquanto o nosso serviço com a dívida pública é o MAIOR DO MUNDO, evidenciando que o próprio COPOM contrata uma inflação ad aeternum.
O objetivo político é claro: em um país onde as classes dominantes não produzem um único parafuso, a base material que dialoga diretamente de seu poder vem diretamente do ORÇAMENTO PÚBLICO.
Ao ler a ata do COPOM, um copia e cola do Boletim Focus, ficamos com a impressão de uma politica monetária de uma nota só. O fato da meta ser de apenas 3% e com espaço temporal de um ano contribui para uma política que está empobrecendo o país.
O super trunfo é o chamado “hiato do produto”. Trata-se de um conceito amplamente discutível na literatura. Com críticas metodológicas de fôlego e acusações de uso político do conceito.
Eventos climáticos extremos afetam a produção agrícola e os preços dos alimentos. Conflitos internacionais provocam oscilações nos preços do petróleo, da energia e de outras commodities. Gargalos logísticos, insuficiência de infraestrutura, dependência de insumos importados e estruturas concentradas de mercado também interferem na formação dos preços.
O recado político é mais claro ao governo quando citam estímulos à demanda agregada que pode exceder o produto potencial.
Foi uma decisão unânime, daí a explicitude da decisão política.
Nós que representamos a nação em sua essência popular devemos ter clareza do nível da disputa a que estaremos dispostos e envolvidos. A política monetária não é neutra. Suas decisões produzem consequências sobre o investimento produtivo, o consumo das famílias, o financiamento das empresas, as contas públicas e, sobretudo, a distribuição da riqueza nacional. Por isso, discutir os juros é também discutir os interesses econômicos e sociais que orientam os rumos do país e qualquer tipo de ameaça inflacionária (custos, serviços, demanda etc) não deve ser atacada com um único instrumento de política monetária.
Quem são os maiores beneficiários de um título público com os juros do nível que praticamos?
Dois recados últimos:
1) nossa inflação é contratada no longo prazo, logo é resultado da falta de estradas, ferrovias de alta velocidade, produção industrial em escala, falta de estoques reguladores, importação de fertilizantes (indústria esta destruída no governo Temer) e ação de monopsônios e oligopsônios distorcendo o sistema de preços na agricultura e
2) sempre é bom lembrar que o Brasil tem um dos menores MENORES DÉFICITS PRIMÁRIOS DO MUNDO enquanto o nosso serviço com a dívida pública é o MAIOR DO MUNDO.
Daí a pergunta: qual a real causa do déficit público?
* Deputado Federal eleito (PCdoB-RJ).











