Vítimas estavam em imóvel atingido por prédio em construção na Zona Leste de São Paulo; Prefeitura investiga falhas na fiscalização da obra
Seis pessoas morreram no desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, Zona Leste de São Paulo. O último corpo foi localizado pelos bombeiros na tarde deste domingo (13), encerrando as buscas. Os corpos das vítimas serão levados para a Bolívia, onde serão sepultados.
Ao todo, oito pessoas estavam no imóvel atingido. Duas sobreviveram: um homem e uma criança de sete anos, que tiveram ferimentos leves. As vítimas eram imigrantes: sete bolivianas e uma paraguaia. No local também funcionava uma oficina de costura.
HISTÓRICO DE IRREGULARIDADES
Segundo informações divulgadas pelas autoridades, a construção havia começado em 2019 e já apresentava problemas. O imóvel chegou a ser interditado e a Prefeitura aplicou multas diante da continuidade das obras.
Em 2021, o município chegou a recorrer à Justiça para exigir a paralisação e a demolição da estrutura considerada irregular. Mesmo assim, a situação tomou um novo rumo em 2023, quando foi emitido um alvará para um novo projeto.
A autorização, no entanto, estava condicionada à demolição da estrutura anterior.
É justamente nesse ponto que surgem algumas das principais perguntas sobre a fiscalização.
De acordo com as informações que vieram à tona após o desabamento, uma vistoria realizada posteriormente teria atestado que a demolição havia sido realizada. A estrutura, porém, permaneceu de pé e acabou dando lugar a um prédio de vários andares que desabou sobre a casa vizinha.
A Prefeitura afastou a servidora responsável pela vistoria e abriu investigação para apurar as circunstâncias que permitiram que a obra avançasse.
Imagens de satélite e relatos de moradores passaram a ser analisados pelas autoridades porque indicariam que a demolição exigida pelo município não teria ocorrido da forma declarada no processo de fiscalização.
Um dos sócios ligados à construtora responsável pela obra foi preso temporariamente. Outros dois envolvidos são procurados pela polícia. As causas técnicas do desabamento ainda serão determinadas pela perícia.











