Ela criticou a política de metas da Secretaria da Educação, denunciou o adoecimento de profissionais e pediu que o secretário “ouça as escolas” em vez de governar “do gabinete”
Durante uma reunião com gestores da rede estadual de ensino de São Paulo, a diretora de escola Rosete Aparecida Itagyba fez um contundente discurso contra a política educacional conduzida pelo secretário estadual da Educação, Renato Feder. Servidora de carreira, a gestora expôs o distanciamento entre as decisões tomadas pela Secretaria e a realidade enfrentada diariamente por diretores, professores e demais profissionais das escolas estaduais.
Em sua fala, Rosete afirmou que “a educação não é linear” e criticou o modelo implantado pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, segundo ela, busca aproximar a gestão das escolas da lógica das empresas privadas. Na avaliação da diretora, a prioridade deixou de ser a qualidade do ensino para dar lugar à cobrança por metas e indicadores padronizados, desconsiderando as diferentes realidades sociais das comunidades escolares e as necessidades específicas de cada estudante.
A gestora também denunciou os impactos da pressão constante por resultados sobre a saúde mental dos profissionais da educação. Segundo ela, o ambiente de trabalho tem provocado adoecimento emocional, afastamentos e até pedidos de exoneração de servidores experientes.
“Hoje o senhor está perdendo gente tão boa para a psiquiatria, para os hospitais, pela exoneração”, afirmou, dirigindo-se diretamente ao secretário.
Em outro momento, fez um apelo para que Renato Feder conheça mais de perto a realidade das escolas.
“Não faça isso, secretário. Ouça o seu povo, esquece seu gabinete. Vem ver gente, a gente tem sangue, sabia?”, declarou.
A diretora também cobrou maior valorização dos profissionais da educação e pediu que o secretário leve as reivindicações da categoria ao governador.
“Quando o senhor encontrar com o governador, o senhor tem que dizer para respeitar o seu trabalho, o meu trabalho, o nosso trabalho e não vir prometer aumento para o ano que vem, pois já estamos sem há muito tempo e nós estamos cansados”, disse.
Ao longo de sua intervenção, Rosete abordou temas como o excesso de cobranças por resultados, a padronização das escolas, o uso intensivo de plataformas digitais, a falta de valorização dos profissionais da educação e o aumento da sobrecarga de trabalho. Em diversos momentos, ressaltou que a realidade vivida nas unidades escolares está muito distante daquela percebida nos gabinetes da Secretaria da Educação.
Diretora da Escola Estadual Professor Fernando de Azevedo, Rosete participava da reunião mesmo estando em período de férias. Em sua conclusão, voltou a defender uma educação que respeite as diferentes necessidades dos estudantes e rejeitou a ideia de um modelo único para todas as escolas.
“Finalizando porque o senhor precisa ir e eu também estou de férias. Eu quero lhe dizer que a escola tem que recompor vida, vida! Porque quando você abre a mochila de um aluno, cada um precisa de uma coisa. A educação não é linear, a educação é como aquele exame de coração: nós somos assim ó, porque a vida é assim”, afirmou.










