Ditadura Trump volta a sabotar participação do Irã na Copa e Fifa não faz nada

O capitão da seleção, Mehdi Taremi, e o auxiliar técnico foram retidos no aeroporto no retorno ao México - Foto: Getty Images

Após estrear na Copa do Mundo na noite da última segunda-feira (15) com um empate com a Nova Zelândia, a seleção do Irã enfrentou problemas na imigração dos EUA para deixar o país. O capitão da seleção, Mehdi Taremi, e o membro da comissão técnica Saeed Al-Hawie foram retidos no aeroporto de Los Angeles, onde o time jogou.

A estreia do Irã na Copa ocorreu poucas horas após o anúncio de um acordo com para encerrar a guerra no Estreito de Ormuz, iniciada com o covarde ataque dos EUA e Israel a uma escola, que matou 168 meninas.

Para garantir a participação iraniana na Copa, sua base de operações, que seria nos EUA, foi transferida para Tijuana, no México, e a entrada nos EUA estaria garantida para o time persa. Entretanto, funcionários do governo Trump passaram a dificultar a participação iraniana.

Um porta-voz do Departamento de Estado teria dito ao portal UOL que os EUA não permitirão que a seleção iraniana “abuse do sistema de vistos para infiltrar terroristas nos EUA sob falsos pretextos”.

“A comitiva da seleção iraniana de futebol está retornando a Tijuana após a partida contra a Nova Zelândia, mas o embarque de dois membros importantes da equipe no Aeroporto de Los Angeles, assim como o voo de partida, sofreu atrasos e apresentou problemas”, afirmou a Federação Iraniana (FFIRI), que acrescentou que obstáculos são semelhantes aos que ocorreram na viagem de ida.

De acordo com a Federação, os procedimentos de checagem de passaportes e vistos na imigração do aeroporto dos dois integrantes da equipe foi “marcado por um atraso injustificado no portão de saída do aeroporto, o que causou um atraso no voo da comitiva da seleção para Tijuana”. Eles foram liberados após as checagens.

Além dessa retenção, Taremi passa por outro entrave com seu visto. O atleta recebeu dos Estados Unidos um visto que permite uma única entrada no país, o que impediria uma nova entrada para as próximas partidas.

“Embora os jogadores recebam vistos de “múltiplas entradas” para viajar aos Estados Unidos, o visto de Mehdi Taremi era válido apenas para uma entrada e, após a viagem da seleção para Los Angeles para a partida contra a Nova Zelândia, o visto do jogador expirou”, explicou a FFIRI.

A Federação Iraniana de Futebol disse que tomou “providências para reemitir o visto de Taremi, para que o jogador possa acompanhar a seleção nacional em partidas futuras”.

SOMOS O TIME MAIS AGREDIDO DA COPA

Ao final do jogo, Taremi disse que os jogadores foram informados de que deveriam retornar imediatamente para Tijuana. Ele criticou abertamente a situação, afirmando que a constante incerteza está afetando o grupo tanto mental quanto fisicamente. “Ainda temos muitos problemas”, declarou o atacante do Olympiacos aos jornalistas após a partida.

“Legalmente, deveríamos nos recuperar amanhã pela manhã e depois retornar a Tijuana, mas somos obrigados a deixar Los Angeles imediatamente. Não acredito que isso seja bom para nós. Também não é bom para o futebol.”

Taremi afirmou que a equipe enfrenta dificuldades há meses e descreveu as condições que cercam a participação do Irã como “verdadeiramente desastrosas”.

O capitão iraniano também destacou a falta de pessoal causada pelas restrições de visto. “Nosso assessor de imprensa não conseguiu o visto e não está conosco”, afirmou, denunciando que o analista da equipe foi obrigado a assumir também as funções de relacionamento com a imprensa.

Taremi acrescentou que a seleção deseja apenas “paz”, ecoando os reiterados apelos da FIFA para que o futebol permaneça afastado das disputas políticas.

“Se nos ajudarem, ficaremos agradecidos. Se não, continuaremos unidos e tentaremos vencer a próxima partida”, concluiu.

Presidente da Fifa foi ao vestiário iraniano – Foto: Reprodução

O técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, fez duras críticas aos EUA na visita do presidente da Fifa, Gianni Infantino, ao vestiário da equipe.

Inicialmente, Infantino reuniu jogadores e membros da comissão técnica para manifestar apoio à delegação diante das dificuldades enfrentadas durante o torneio. Em seguida, o treinador aproveitou a presença do dirigente para relatar os obstáculos enfrentados pelo Irã desde o início da competição e cobrar uma postura mais firme da entidade.

Segundo Ghalenoei, as restrições impostas à seleção prejudicaram diretamente a preparação para o Mundial. O treinador afirmou que a equipe foi impedida de chegar aos EUA com antecedência e classificou a situação como uma “injustiça”.”Eu sei o quanto foi difícil para estarmos aqui. Quero falar sobre o ponto de vista humano. Somos o time mais agredido na Copa do Mundo por causa das condições e do efeito que criaram para nós. Isso é uma injustiça. Precisávamos ter vindo para cá com pelo menos duas semanas de antecedência, mas eles tiraram isso de nós. Eles não queriam nem que nós viéssemos para cá”, afirmou.

Após o empate, os próximos jogos do Irã também acontecerão nos Estados Unidos. No próximo sábado (21), os iranianos enfrentam a Bélgica, em Los Angeles. Na sequência, jogarão contra o Egito em Seattle, em 27 de junho.

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