Mais de 100 mil consumidores continuam sem energia elétrica no Rio de Janeiro nesta sexta-feira (31), dois dias após o vendaval que atingiu o estado. Logo após o temporal, o número de imóveis afetados chegou perto de 500 mil, segundo as concessionárias responsáveis pelo fornecimento.
A Light, que atende 31 municípios fluminenses, incluindo a capital, informou que cerca de 95 mil imóveis ainda permanecem sem luz. Na cidade do Rio de Janeiro, os maiores impactos continuam sendo registrados nos bairros de Campo Grande, Bangu, Jacarepaguá, Santa Cruz e Recreio. Já na Baixada Fluminense, os trechos mais afetados ficam em Nova Iguaçu e Duque de Caxias.
De acordo com a distribuidora, os trabalhos de restabelecimento entraram na fase mais complexa da operação. Em diversos locais, os danos provocados pelo temporal exigem a troca de postes, cabos e outros equipamentos da rede elétrica, além da retirada de árvores e objetos que caíram sobre a fiação.
Nas regiões atendidas pela Enel Rio, aproximadamente cinco mil pontos seguem sem fornecimento de energia. Paraty concentra o maior número de ocorrências na área de concessão da empresa. Angra dos Reis e Mangaratiba também continuam registrando interrupções no serviço.
A Enel informou que já conseguiu normalizar o abastecimento para 99% dos clientes afetados. Segundo a concessionária, além da reconstrução da rede elétrica, as equipes trabalham na desobstrução de vias bloqueadas pela queda de árvores e contam com reforço de técnicos, veículos e equipamentos para acelerar o atendimento.
O temporal também deixou vítimas. Na manhã de sexta-feira (31), equipes de resgate encontraram o corpo de um homem que havia desaparecido no mar em Tarituba, distrito de Paraty. Outras duas pessoas morreram após o desabamento de um muro no bairro de Santa Teresa, na capital. Entre elas estava o ex-atacante do Botafogo Tássio Santos, de 41 anos.
A cidade do Rio foi a mais atingida pelas fortes rajadas de vento, seguida por Nova Iguaçu e Niterói. Em todo o estado, foram registradas 291 ocorrências relacionadas ao temporal, incluindo 154 quedas de árvores, 31 resgates de pessoas e cinco desabamentos.
As rajadas ultrapassaram os 100 km/h em alguns pontos da capital. A maior velocidade foi registrada no Aeroporto Internacional do Galeão, com 105,5 km/h. Também foram medidos ventos de 95,4 km/h na Marambaia, 87,5 km/h na Vila Militar e 83,3 km/h no Campo dos Afonsos.
O prefeito em exercício do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), afirmou que a intensidade da ventania superou as previsões meteorológicas. Segundo ele, o estado chegou a registrar cerca de um milhão de pessoas sem energia elétrica e diversas ruas ficaram bloqueadas pelos estragos. Cavaliere também disse que o alerta emitido pela Defesa Civil indicava um evento menos intenso do que o que acabou ocorrendo.











