Levantamento da TV Globo e do g1 mostra que 27 legendas reconheceram a reeleição do presidente. Novo questionou as instituições e Mobiliza não se manifestou
A vitória do presidente Lula (PT) nas eleições de 2026 foi reconhecida por 27 partidos políticos, de diferentes correntes ideológicas, incluindo legendas que apoiaram o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).
Apenas o Novo contestou abertamente o resultado e questionou as instituições democráticas. O Mobiliza, por sua vez, não havia se manifestado até a última atualização do levantamento.
Os dados foram divulgados pela TV Globo e pelo g1, com base em notas oficiais, manifestações de dirigentes partidários e publicações das legendas. O levantamento considerou 29 dos 30 partidos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), excluindo o PT, partido do presidente reeleito, que compõe a Federação Brasil da Esperança, com PCdoB e PV.
Um dos aspectos mais significativos é que o reconhecimento veio inclusive do PL, partido de Flávio Bolsonaro, que, inconformado com a derrota, fugiu do Brasil e desembarcou nos Estados Unidos. De lá, divulgou carta na qual questionou o resultado das urnas, alegou fraude sem apresentar provas e chegou a se autoproclamar “verdadeiro presidente do Brasil”.
A postura do candidato derrotado contrasta com a posição do próprio partido, que reconheceu o resultado eleitoral. Moral da história: Flávio e o clã estão desmoralizados.
Também reconheceram a vitória de Lula o União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PP, PSDB, PDT, PSB, PSol, Podemos, Cidadania, PV, Rede Sustentabilidade, Solidariedade, Avante, Agir, PRD, DC (Democracia Cristã), Democrata, UP (Unidade Popular), PSTU, PCB, PCO, PRTB e Missão.
OPOSIÇÃO DENTRO DAS REGRAS DEMOCRÁTICAS
Entre as manifestações, chama atenção a posição do União Brasil, que apoiou Flávio Bolsonaro no segundo turno. A legenda defendeu o respeito à decisão popular e escreveu:
“A eleição de 25 de outubro transcorreu com lisura e o seu resultado deve ser respeitado”.
O presidente nacional do partido, Antonio Rueda, também defendeu o encerramento da disputa eleitoral num claro recado à carta golpista de Flávio Bolsonaro:
“Passada a eleição, é hora de encerrar a disputa e pensar nos enormes desafios que se colocam diante do nosso País. A eleição terminou. O Brasil continua, e precisa de todos nós”.
O MDB, por sua vez, reafirmou confiança no sistema eleitoral brasileiro e na legitimidade do resultado das urnas.
Já o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), classificou como “incompreensível” o comportamento de Flávio Bolsonaro e defendeu que a oposição seja exercida dentro do território nacional, com respeito às instituições e ao processo eleitoral.
NOVO NA CONTRAMÃO DA DEMOCRACIA
A única legenda a adotar posição abertamente contrária ao reconhecimento da vitória de Lula foi o Novo, que se comporta como linha auxiliar do PL, mais radicalizado. O partido questionou as instituições e escreveu que o Brasil “não é uma democracia”.
Em publicação, acusou o PT de utilizar a máquina pública e o STF (Supremo Tribunal Federal) para permanecer no poder e anunciou 3 ações judiciais em que pede a cassação da chapa vencedora.
A contestação contrasta com a posição do TSE, que confirmou a vitória de Lula após a totalização dos votos e atestou a regularidade do processo eleitoral.
O Mobiliza, diferentemente do Novo, não apresentou contestação: simplesmente não havia divulgado manifestação pública sobre o resultado.
DEMOCRACIA FALOU PELAS URNAS
O levantamento evidencia que o reconhecimento da vitória de Lula ultrapassou as fronteiras da base política e partidária do presidente. Mesmo as legendas que estiveram no campo adversário reconheceram a legitimidade da decisão dos eleitores.
Isso não significa adesão ao governo ou abandono da oposição. Significa reconhecer a regra elementar da democracia: quem vence governa; quem perde exerce a oposição, respeitando a vontade popular.
A expressiva maioria das legendas reconhecendo o resultado também expõe o isolamento político de quem insiste em alimentar suspeitas infundadas sobre as urnas e estimular aventuras antidemocráticas.
A eleição terminou. A vontade popular foi expressa. E não cabe a candidato derrotado, muito menos aos aliados desse, escolher o resultado que gostaria de ter obtido.











