Economia da China cresceu 4,6% de janeiro a setembro

Indústria da China (foto Xinhua)

A meta de crescimento do PIB estabelecida para este ano está entre 4,5% e 5%

O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 4,6% em termos anuais nos primeiros nove meses de 2026, atingindo 107,11 trilhões de yuans (cerca de 89 trilhões de reais), segundo dados publicados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (DNE), nesta segunda-feira (19).

A meta de crescimento do PIB estabelecida para este ano pelas autoridades econômicas de Pequim está entre 4,5% e 5%, demonstrando que a segunda maior economia do mundo mantém uma trajetória estável e uma base sólida para alcançar sua meta de crescimento anual, observaram analistas.

No terceiro trimestre, o PIB da China cresceu 4,5% em relação ao ano anterior, um aumento em relação aos 4,3% registrados no segundo trimestre. No primeiro trimestre, a economia expandiu 5%, segundo dados do DNE.

Por setores, o primário cresceu 3,7% entre janeiro e setembro, o secundário, 3,8%, e o terciário, 5,2%, de acordo com as estimativas preliminares divulgadas pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.

O organismo afirma que, ao longo dos primeiros três trimestres, a segunda maior economia do mundo “alcançou um desenvolvimento sustentado e sólido face às pressões, demonstrando o seu ímpeto com novos motores de crescimento e uma estrutura melhorada”.

“A economia nacional continuou a demonstrar uma forte resiliência e vitalidade”, acrescenta o comunicado, que, no entanto, volta a deixar alertas sobre um “cenário internacional complexo e volátil”, ao mesmo tempo em que apela à “consolidação das bases” do crescimento.

FORÇA DOS SETORES DE ALTA TECNOLOGIA

Os resultados do terceiro trimestre refletem diversos fatores, incluindo a força dos setores de alta tecnologia e fabricação de equipamentos, que continuaram a sustentar uma sólida demanda externa; o forte impulso das indústrias emergentes e recém-desenvolvidas; e o progresso constante no desenvolvimento de alta qualidade.

Apesar do aumento das incertezas, os analistas chineses esperam que o crescimento acelere ainda mais no quarto trimestre, à medida que novas medidas de política econômica surtam efeito e o setor manufatureiro permaneça dinâmico.

O economista Tian Yun confirmou que a resiliência da produção chinesa e o crescimento relativamente rápido das exportações contribuíram significativamente para o impulso econômico no terceiro trimestre, especialmente na fabricação de produtos de alta tecnologia relacionados à inteligência artificial (IA).

“Este número reforça o papel da China como estabilizadora e impulsionadora da cadeia de suprimentos global. Essa posição poderá ser ainda mais fortalecida no quarto trimestre, considerando o aumento das tensões geopolíticas e das incertezas externas”, disse Tian.

O economista destacou que a cadeia industrial estável e abrangente da China também ajudou a amortecer o impacto de algumas perturbações de curto prazo na economia global, incluindo aquelas relacionadas ao Estreito de Ormuz, estratégica hidrovia entre o Irã e os Emirados Árabes por onde passa 20% do petróleo, gás e fertilizantes comercializados no mundo.

ESTRUTURA ECONÔMICA

“Apesar das pressões negativas provenientes de fatores principalmente externos, a economia chinesa apresentou uma clara tendência de desenvolvimento de alta qualidade durante os três primeiros trimestres. O ímpeto para o crescimento está se deslocando para novas forças motrizes, e a estrutura econômica continua a melhorar”, afirmou Hu Qimu, professor do Instituto da Rota da Seda Marítima da Universidade de Huaqiao.

No terceiro trimestre, com a recuperação contínua da demanda interna, os economistas observaram novos sinais de melhora em setembro. Isso sugere que as medidas de apoio econômico e os fatores sazonais começaram a surtir efeito, fortalecendo a resiliência da economia.

Dados da Administração Geral de Alfândegas mostram que o crescimento do comércio exterior da China atingiu seu nível mais alto em cinco anos durante os três primeiros trimestres do ano. As exportações aumentaram 16,4%, enquanto as importações cresceram 22,3%.

“À medida que o governo intensifica os ajustes anticíclicos, novas medidas de política econômica são implementadas sucessivamente e a transformação e modernização industrial ganham impulso, espera-se que a economia mantenha uma trajetória estável e forte ao longo do ano”, concluiu Hu.

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