Plano é precarizar o serviço público, privatizar, demitir, congelar salários e zerar concursos públicos
Em vez de realizar novos concursos públicos e fortalecer o serviços de atendimento à população, assessora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, planeja substituir demitir 12,5 milhões de trabalhadores, “substituindo por inteligência artificial”.
“Quais carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir de inteligência artificial? 12 milhões e meio de servidores públicos”, defendeu a assessora de Flávio em entrevista no dia 30 de setembro. “A cada 5 anos, cada ano, vai aposentando 20%. E aí, substitui, faz outro concurso pra gente pagar? Ou dá pra ir substituindo por inteligência artificial no tempo?”, disse.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, classifica a ideia de Marques como “absurda”.
“Imagina o governo tomar decisões a partir de um modelo de IA e tem um erro – por exemplo, não deu um benefício para alguém – e não tem quem responsabilizar por algo errado”, critica.
Segundo a ministra, “a IA sem dúvida nenhuma tem todo o potencial de aumentar enormemente a produtividade do setor público, mas isso não significa que você não precise de pessoas trabalhando. Inclusive, uma das coisas básicas no guia ético de uso de IA é a supervisão humana em todo o processo, não pode ter IA tomando decisões sem que tenha humanos revisando aqueles processos decisórios, porque as IAs a gente sabe que ainda cometem vieses de erros, tem um monte de problema”, afirma Esther Dweck, em entrevista à Folha de S.Paulo.
“Eles trouxeram essa ideia de que a gente digitaliza, então não precisa de pessoas”, segue a ministra.
“O Guedes [ex-ministro da Economia no governo Bolsonaro] falava muito isso, a digitalização faz com que não precise ter mais concurso, e a gente viu o risco, o problema que foi a falta de pessoal no Serviço Público Federal. Não tinha nem reposição do mínimo necessário para continuar alguns serviços públicos que estavam muito precarizados ”, denuncia Esther.
“Você pode sim ter uma IA auxiliando no trabalho repetitivo, mas não substituir uma pessoa, alguém tem que ser responsável”, defende.
A ministra Esther destaca no Instragram que “o presidente Lula prevê recursos para reajustar os servidores pela inflação em 2027, pretende manter o Concurso Nacional Unificado e rejeita a substituição de trabalhadores por inteligência artificial” e reafirma que “a IA deve auxiliar servidores, e não ocupar seus lugares”.
“Ficam claros dois projetos diferentes para o Estado: enquanto Lula aposta na manutenção e renovação do serviço público, Flávio propõe enxugar a máquina, ampliar o uso de IA e retomar as privatizações”, alerta a ministra.











