Milei afundou a economia. Fechou 90 mil empresas, provocou o maior desemprego da história da Argentina e privatizou estatais. As aposentadorias e serviços públicos foram deestruídos
Flávio Bolsonaro defende a volta do arrocho, fome e miséria no Brasil, segundo declarações de Daniella Marques, coordenadora econômica de sua campanha. Segundo ela, o desastre econômico implementado por Javier Milei na Argentina é um exemplo a ser seguido pelo Brasil.
Após tomar posse em 2023, Milei implementou seu projeto neoliberal, que impôs o esmagamento da economia real, agravando o desemprego e a pobreza no país. Em meio à carestia dos alimentos, a carne de burro, que não era consumida pelos argentinos, se tornou uma opção à tradicional carne bovina no assado argentino.
A pobreza afeta cerca de 30,7% da população, segundo dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH), do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), do primeiro trimestre de 2026.
“A foto é horrível, mas a tendência segue sendo maravilhosa”, disse Milei em entrevista ao streaming La Casa, onde defendeu sua política de austeridade fiscal.
O avanço da pobreza ocorre em meio à aceleração da inflação, com alta de 33,5% no acumulado em 12 meses até agosto, segundo o INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Censos). A inflação de alimentos avançou 34,9% no período.
Para 59% dos argentinos, o país está pior do que quando Milei assumiu a presidência, o maior percentual da série da pesquisa QMonitor da consultoria QSocial Big Data, realizada entre 7 e 26 de agosto. A sondagem também aponta que 55% avaliam negativamente a situação do país e 44% afirmam que sua renda é insuficiente para cobrir as necessidades básicas.
O desemprego na Argentina também se intensificou com o governo de Javier Milei. No primeiro trimestre de 2026, a taxa de desemprego na Argentina chegou a 7,8%. Já o emprego informal atingiu 44,2% nesse período, segundo relatório do INDEC. Além disso, o emprego assalariado registrado no setor privado acumulou uma perda de 217 mil postos de trabalho desde novembro de 2023, e o subemprego subiu para 11,1%.
Javier Milei aprovou no Congresso argentino uma reforma nas leis trabalhistas, que, entre os principais pontos, aumentou a jornada de trabalho para até 12 horas diárias, afrouxou as regras de contratação e reduziu os valores e as penalidades aplicadas aos empregadores no momento da demissão de um funcionário. A legislação também passou a considerar formalmente os motoristas e entregadores de aplicativos (como Uber, Rappi, etc.) como “trabalhadores independentes” ou autônomos, desobrigando as plataformas de garantir direitos trabalhistas básicos, como férias, 13º salário ou proteção contra demissão para esses profissionais.
A Argentina perdeu mais de 90 mil empregos assalariados registrados desde agosto de 2023, segundo a União Industrial Argentina (UIA). O presidente da entidade declarou recentemente que a produção industrial encontra-se atualmente 10% abaixo dos níveis registrados em 2022, enquanto alguns setores apresentam quedas entre 25% e 30%.
Além disso, cerca de 30 mil empresas fecharam as portas na Argentina, segundo dados do setor. Em reportagem do portal G1, o diretor da Kioshi, Emmanuel Fernández, é categórico: “O mercado interno está morto, as pessoas não têm dinheiro para consumir, dificilmente vão comprar calçados”,lamenta.
Com Javier Milei, programas históricos de habitação foram extintos, fundos de urbanização foram esvaziados e o investimento público em obras, arrochado, o que agravou a crise habitacional no país, penalizando mais 10,7 milhões de famílias argentinas.
A agenda agressiva de privatizações do governo de Milei propõe entregar empresas estratégicas de água, energia, minerais críticos e ativos de logística ao mercado, além de repassar milhares de quilômetros de rodovias à iniciativa privada. A sanha privatista de Javier Milei aprofunda a perda de soberania argentina sobre seus recursos e transfere a conta diretamente para o bolso da população, que passa a arcar com novos pedágios e tarifas abusivas, em prol da acumulação de riqueza de grupos privados nacionais, multinacionais e fundos de investimento estrangeiros.










