Plano inviabiliza os programas sociais, reajustes no salário mínimo, pensões e aposentadorias, entre outros estragos aos brasileiros
O professor Pedro Paulo Zahluth Bastos, do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmou que o “tesouraço” de cerca de R$ 200 bilhões a R$ 300 bilhões, defendido pela equipe econômica do candidato Flávio Bolsonaro, afetaria a área social.
Para o economista da Unicamp, a única forma de chegar a cortes de 1,5% a 2% do PIB é por meio de cortes em despesas obrigatórias ou mudanças nos cálculos dos reajustes dos benefícios atuais.
“Ninguém perde o benefício de hoje, perde o reajuste de amanhã. O aposentado que ganha um salário mínimo deixa de ter o ganho real que teve todos os anos desde 2023. Em dez anos, isso é uma reforma da Previdência feita sem votar reforma da Previdência”, declarou Zahluth à Agência Brasil.
Zahluth destaca que “cerca de 90% do gasto primário federal é obrigatório: Previdência, BPC [Benefício de Prestação Continuada], pessoal, pisos de saúde e educação, Bolsa Família. O que sobra, as despesas discricionárias, soma pouco mais de R$ 200 bilhões”.
Ele acrescentou que, dentro das despesas discricionárias, que são aquelas que podem ser usadas livremente pelo governo, estão os investimentos, além dos custeios de universidades, de hospitais federais e da Polícia Federal (PF).
“Um corte de R$ 200 bilhões que preserve os benefícios sociais zera o resto. Se não zera, entra nos benefícios. Não há terceira opção”, afirmou o economista.
Para a professora de economia Maria Lourdes Mollo, da Universidade de Brasília (UnB), não é possível fazer cortes substanciais no orçamento público sem afetar a área social.
“Não apenas em função das políticas sociais especificamente, que serão comprometidas, mas porque os gastos públicos têm um efeito multiplicador na renda e no emprego que é perdido”, disse.
Segundo a economista da UnB, as despesas públicas contribuem para estimular a economia. Ela ressaltou que com as altas taxas de juros praticadas no Brasil os cortes de gastos tendem a causar recessão.
“Além disso, como a arrecadação cai com o produto, o que será destinado para educação e saúde, que é uma proporção da receita, cai também”, acrescentou.
O corte de gastos públicos é uma das principais exigências dos bancos e instituições financeiras para continuar se beneficiando com a transferência de recursos públicos da sociedade para seus cofres. Segundo eles, despesas com o povo pressionam a dívida pública e colocam em risco a “sustentabilidade das contas do Estado brasileiro”.
Para o professor da Unicamp Pedro Paulo Bastos, o que pressiona o déficit público são os juros, que vêm consumindo cerca de R$ 1 trilhão ao ano, com o Brasil ocupando o primeiro lugar com as maior taxa de juro real do mundo, segundo a consultoria MoneYou.
“O setor público tem déficit de 0,6% do PIB. Os juros custam 8,9% do PIB. Cortar 1,5% do PIB de quem recebe aposentadoria e Bolsa Família, enquanto se paga 8,9% do PIB a quem tem título público, não é ajuste. É escolha de quem paga”, afirmou Bastos.
O “tesouraço” de Flávio é inspirado no desastroso governo Milei, que fez cortes nas aposentadoria, na saúde, na educação e nos direitos dos trabalhadores na Argentina. O anúncio do corte foi feito pela coordenadora da equipe econômica de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, em entrevista à Globbo News, em agosto deste ano. O plano é um ajuste de 1,5% do Produto Interno Bruto, algo em torno de R$ 190 bilhões, se considerado o PIB de 2025, mas estimado de R$ 250 a R$ 300 bilhões, segundo economistas.
Para presidente Lula, candidato à reeleição, o “tesouraço” de Flávio vai prejudicaria os aposentados e pensionistas e os beneficiários dos programas sociais, como o Bolsa Família, BPC, além de outros programas como Farmácia Popular.
Além do mais, Flávio já se manifestou a favor das privatizações de mais de 90% das empresas públicas, entre elas a Petrobrás.










