O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, participou, em Paris, de uma das manifestações de estudantes realizadas na terça-feira, 6 de outubro de 2026, em Paris.
Postou-se entre os jovens e policiais, no ato em que os estudantes condenaram os cortes de Macron e exigiram o oposto: melhorias na educação pública e mais recursos para as escolas.
Integrante do partido La France Insoumise (LFI), Bagayoko deixou o prédio da prefeitura de Saint-Denis e se juntou ao cortejo estudantil na capital francesa.
Segundo a RTL, Bagayoko foi atingido por gás lacrimogêneo durante a manifestação. Após o episódio, ele pediu às autoridades francesas medidas para reduzir a tensão e defendeu a abertura de negociações com os estudantes.
A mobilização desta terça foi a maior de uma série de protestos de alunos do ensino médio em diferentes regiões da França.
A revolta estudantil que se estende pela terceira semana consecutiva teve quase meio milhão de estudantes do ensino médio tomaram as ruas nesta terça-feira (6) para denunciar o “futuro de guerra e insegurança” que o decadente governo Macron tenta impor e para repudiar o corte das verbas da educação, a deterioração das escolas e superlotação das salas de aula, bem como a violência policial desencadeada contra os escolares.
Nos atos, os estudantes se pronunciam também contra desigualdades educacionais e problemas enfrentados por estudantes de regiões periféricas.
Além do atrito envolvendo o prefeito de Saint Denis, os atos também registraram inúmeros episódios de confronto. Em diferentes pontos das mobilizações, houve bloqueios de escolas, lançamento de objetos e intervenção das forças policiais que lançaram gás lacrimogêneo.
O prefeito Bagayoko afirmou, posteriormente, que desaprovava a violência. Ele tem sustentado que as reivindicações precisam ser tratadas por meio do diálogo e de respostas políticas às demandas apresentadas pelos jovens.
Além de Bagayoko, outras lideranças políticas francesas estiveram presentes no protesto de 6 de outubro em Paris. O ato contou com a participação do líder da France Insoumise, Jean-Luc Mélenchon. Ele advertiu que os estudantes do ensino médio em ação são “inofensivos” e denunciou a ferocidade da repressão do regime Lecornu, que acusou de “racista”. “Deixem nossa juventude em paz”, conclamou, chamando autoridades eleitas e membros do partido a intervier “onde puderem.”
Foi em Paris a maior manifestação, com 100 mil estudantes secundaristas e universitários, professores, pais, sindicalistas e apoiadores da sociedade civil marchando. Segundo as entidades organizadoras, foram realizados atos em cerca de 30 cidades e 1.800 escolas ficaram total ou parcialmente fechadas.
CGT SE UNE AOS ESTUDANTES
Na véspera, a Anistia Internacional pedira o “fim da repressão policial desproporcional”, e a presidente da CGT, principal central francesa, Sophie Binet, anunciara que os sindicatos participariam para “proteger os estudantes do ensino médio” da sanha do premiê Sebastien Lecornu, que cuida dos assuntos internos para Macron no sistema semipresidencialista francês.
Mais de cinco mil estudantes secundaristas foram presos desde que o movimento começou em 21 de setembro e dezenas – entre 14 e 16 anos – ficaram gravemente feridos. O protesto se espalhou pelo país durante a greve do setor público de 29 de setembro, em reação ao anúncio por Lecornu/Macron do novo orçamento, com cortes de US$ 40 bilhões, congelamento de salários do funcionalismo e reposição de aposentadorias abaixo da inflação.
“O que está acontecendo neste país? ”, reagiu a secretária nacional dos Verdes, Marine Tondelier, em entrevista à emissora BFMTV: “Um menino de 15 anos teve o antebraço arrancado até o cotovelo esta manhã em Lens, em frente à sua escola, por uma granada de efeito moral. […] Este governo precisa entender isso ou renunciar.” “Um jovem de 16 anos cego de um olho em Tours”, rechaçou a líder da França Insubmissa (FI), Mathilde Panot.
Todas as centrais sindicais que atuam junto ao sistema educacional francês – Federação Sindical Unitária – FSU, Confederação Geral do Trabalho – CGT, Força Operária – FO, Confederação Democrática Francesa do Trabalho – CFDT, União Nacional dos Sindicatos Autônomos – UNSA e Solidaires, Unitaires, Démocratiques – SUD), se somaram à convocação, bem como a Confederação Camponesa.
Declarações do premiê Lecornu, na Assembleia Nacional, em apoio aos cortes de Macron, foram repelidas por parlamentares como “mentiras” e “violência extrema”.
Os protestos começaram em Paris e, posteriormente, se espalharam para outras cidades francesas após o anúncio do governo sobre cortes orçamentários para 2027.
Enquanto o governo Lecornu/Macron e os fascistas da Reunião Nacional de Marine Le Pen atribuem a revolta ao França Insubmissa, analistas lembram que o número hoje de professores no ensino médio é menor do que em 2008, apesar de educar 250 mil alunos a mais, o que se explica pelos milhares de cortes de empregos implementados por sucessivos ministros da educação nos últimos dez anos.
Os protestos começaram em setembro, com estudantes entre 15 e 18 anos, na etapa final da educação secundária, denunciando ainda a falta de professores substitutos, a carga horária — que consideram excessiva — e a estrutura das salas de aula, não adaptadas às mudanças climáticas.
As manifestações ocorrem meses antes da eleição presidencial de 2027, que escolherá o sucessor de Emmanuel Macron, e em um momento em que o governo busca aprovar um orçamento com tesouraço. Nas pesquisas divulgadas recentemente o índice de aprovação de Macron atingiu um mínimo histórico após despencar para 18%.











