Embaixadora dos EUA ameaçou com intervenção para forçar Grécia a comprar gás norte-americano

"Podemos derrubar o governo que quisermos", esbravejou a embaixadora dos EUA na Grécia (Vídeo da Forbes)

Artigos do Wall Street Journal (WSJ), publicados no final do mês de setembro, detalharam como a embaixadora dos EUA na Grécia, Kimberly Guilfoyle, fez ameaças de intervenção americana contra o governo da Grécia para obrigá-los a comprarem mais gás natural liquefeito (GNL) norte-americano.

De acordo com o WSJ, em março, Guilfoyle confrontou o ministro da Energia da Grécia, Stavros Papastavrou, mencionando o governo da Romênia que na época estava em crise. Atualmente a Romênia está sendo governada por um governo interino.

“Podemos fazer isso com qualquer país que quisermos. Podemos fazer isso aqui”, disse Guilfoyle. Respondendo as ameaças da americana, o ministro grego disse que os EUA não poderiam substituir um governo democraticamente eleito.

Sobre a Romênia, o WSJ revelou que o governo Trump estaria envolvido com uma moção de censura, aprovada em 5 de maio desse ano no parlamento romeno, movida pelo Partido Social-Democrada da Romênia em acordo com a extrema-direita do país, derrubando o governo Ilie Bolojan, do Partido Nacional Liberal romeno (PNL), após o golpe, em 5 de outubro, Luca Niculescu, sem filiação partidária, foi nomeado primeiro-ministro da Romênia.

A notícia do envolvimento dos EUA na queda do governo liberal da Romênia, interferência em projetos de energia e no próprio funcionamento da política interna do país, foi recebia como um escândalo pelos romenos e uma visita da delegação do congresso dos EUA à Romenia, que estava agendada para acontecer na sexta-feira, 9, foi cancelada.

Um deputado romeno, do partido União Salvar a Romênia, apresentou uma queixa crime contra os três envolvidos no golpe insuflado pelos americanos: George Simion, do partido de extrema direita, Aliança para a Unidade dos Romenos (AUR), Sorin Grindeanu, líder do PSD e Bogdan Ivan, também do PSD, ele é ex-ministro da Energia até que seu partido sair da coligação do governo deposto, de acordo como o deputado essas pessoas devem “ser investigadas por negociarem com uma potência estrangeira a subjugação e a desestabilização econômica da Romênia”.

GUILFOYL PEDIU US$ 100 MIL A DOADOR TRUMPISTA

Mais uma revelação do WSJ, em um artigo publicado na quarta-feira, 7, dias antes de sua confirmação para a função de embaixadora na Grécia, no ano passado, Guilfoyle pediu para um dos doadores do presidente americano, Donald Trump, que transferisse US$ 100 mil para sua conta do American Express.

“Você pode simplesmente enviar para cá. Não aparecerá em lugar nenhum se você transferir dinheiro para a American Express”, disse Guilfoyle, para o doador, no aplicativo de mensagens Signal, em 3 de julho do ano passado, há apenas 6 dias de sua confirmação.

O doador, Eric Deters, é um advogado que já foi suspenso duas vezes pela Ordem dos Advogados do Kentucky e ele já tentou concorrer para cargos políticos, para o governo de Kentucky e para o congresso americano. Em 2022 ele doou cerca de US$ 125.000 para a campanha de Trump.

Em resposta a Guilfoyle, o WSJ disse que Deters se recusou passar o dinheiro por que se sua esposa descobrisse, poderia lhe pedir o divórcio. “Infelizmente, sua necessidade urgente de US$ 100.000 não vai funcionar”, disse. “Não posso fazer isso sem me divorciar.”

Guilfoyle é ex-esposa do atual governador da Califórnia, o democrata, Gavin Newsom, e já foi noiva de um dos filhos do presidente Trump, Donald Trump Jr, até que terminaram em 2024.

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