Empresa ligada a “gabinete do ódio” contra João Campos recebeu R$ 642 mil do governo de PE

Candidato ao governo de Pernambuco, João Campos - Foto: Reprodução

Uma empresa ligada a Amisadai Andrade Silva, servidor da Caixa cedido ao governo de Pernambuco, recebeu R$ 642,5 mil do Governo de Pernambuco entre 2023 e agosto de 2026. Segundo depoimento gravado obtido pela TV Record, Amisadai afirmou ter coordenado uma estrutura de cerca de 300 perfis nas redes sociais destinada a atacar o então prefeito do Recife e atual candidato ao governo estadual, João Campos (PSB), enquanto promovia a governadora Raquel Lyra (PSD).

Os pagamentos à Portal Comunicação e Marketing Ltda., responsável pelo site Portal da Prefeitura, cresceram justamente no período em que a disputa entre Raquel e João Campos se intensificou. Foram R$ 44,4 mil em 2023, R$ 81,4 mil em 2024 e R$ 330,3 mil em 2025. De janeiro a agosto deste ano, já foram R$ 186,4 mil – 1% a mais que os R$ 153,7 mil pagos no mesmo período de 2025. Os dados constam de portais de transparência e registros oficiais da administração estadual.

Amisadai, servidor da Caixa cedido à Secretaria de Turismo de Pernambuco, relatou à TV Record que atuava em uma estrutura que chamou de “gabinete do ódio”, voltada à produção e disseminação de conteúdos contra João Campos e favoráveis a Raquel Lyra. Segundo seu relato, a rede reunia aproximadamente 300 perfis e os pagamentos relacionados à operação seriam feitos por meio de despesas de publicidade. Ele é responsável pelo registro do site Portal de Prefeitura, administrado pela empresa que recebeu os recursos estaduais.

O caso ganhou repercussão também porque Amisadai participou de reuniões na sede do governo pernambucano. Parte dos pagamentos à empresa ocorreu posteriormente a esses encontros, segundo os registros citados na reportagem. A governadora exonerou o servidor da função na Secretaria de Turismo no mesmo dia em que a reportagem da Record foi exibida.

Raquel Lyra nega ter mantido ou autorizado uma estrutura para atacar seu adversário. Ao comentar as acusações, classificou-as como “velhas práticas” do PSB e afirmou que não faz política dessa maneira.

A negativa, contudo, não altera os registros oficiais dos pagamentos nem o depoimento de Amisadai sobre a atuação da rede de perfis. O crescimento dos repasses, especialmente a partir de 2025, coloca em xeque a relação entre os contratos de publicidade do governo e a estrutura digital descrita pelo servidor.

No caso envolvendo Amisadai, chama atenção a combinação entre recursos públicos destinados à empresa, a atuação de um servidor cedido ao governo, reuniões na sede da administração estadual e o relato de uma operação organizada para atacar João Campos.

O episódio ocorre em meio à disputa pelo governo de Pernambuco e às acusações de uso organizado das redes sociais para atingir adversários. O ex-prefeito também afirma ser alvo de ações coordenadas de desinformação.

Nesse contexto, no sábado (29), o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou que quatro perfis nas redes sociais retirassem, em 24 horas, publicações que associavam diretamente Raquel Lyra a um “gabinete do ódio”. A decisão considerou que as postagens apresentavam como fatos comprovados suspeitas ainda em apuração.

A decisão do desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo não concluiu que as suspeitas sobre a existência da estrutura fossem comprovadamente falsas. O tribunal entendeu que os perfis apresentaram como fato consumado aquilo que a reportagem original tratava como suspeita e investigação.

A decisão, portanto, trata da forma como as informações foram apresentadas nas redes e não dos R$ 642,5 mil pagos à empresa ligada a Amisadai, dos registros oficiais desses repasses ou do depoimento em que o servidor afirma ter operado uma estrutura de perfis contra João Campos.

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