Especialistas em energia do Brasil e América Latina se unem para ajudar Cuba a enfrentar cerco dos EUA

Ildo Sauer, professor titular da IEE/USP e ex-diretor da Petrobrás. Foto:HP
Professor Ildo Sauer Foto HP

O grupo discute, junto com os cubanos, alternativas para romper criminoso bloqueio naval imposto ao país pela ditadura dos EUA

Um grupo de especialistas em energia da América Latina, incluindo brasileiros, decidiram se reunir para encontrar formas de apoiar Cuba diante do criminoso bloqueio naval imposto ao país pela ditadura dos Estados Unidos.

O professor Ildo Sauer, do Instituto de Energia e Ambiente (IEA) da USP, faz parte do grupo e apresentou uma série de sugestões de alternativas energéticas diante do bloqueio. Participaram também Mariana Moura, Luiz Fernando, Alcantara e Flávio, todos do IEA.

O governo Trump impede o desembarque de qualquer navio que leve petróleo para o país e tem como objetivo cometer um genocídio contra a população cubana. Apenas a Rússia furou esse bloqueio há alguns meses, levando um carregamento de petróleo para o governo cubano. Diversos países estão ajudando Cuba a enfrentar a agressão. A china doou milhares de placas fotovoltaicas para ajudar o país a diversificar sua matriz energética.

Letícia Campos

Participaram também do grupo: Letícia Campos (México), Carlos Germán Meza (Nicarágua); Mercedes Canese (Paraguai); Ricardo Canese (Paraguai) [Victorio Oxilia (Paraguai) não pôde participar devido a atividades acadêmicas]; a Embaixadora de Cuba no Paraguai; além de Ángel Miguel Méndez Torres (Diretor-Geral de Processos Industriais), Yosbedy Pérez Fernández (Diretor de Negócios da Azcuba) e Mariela Gallardo Capote (Vice-presidente do Grupo Açucareiro Azcuba).

Segundo a ata da primeira reunião do grupo, realizada no dia 14 de agosto, o Prof. Ildo Sauer refletiu sobre a necessidade de avaliar a adequação de diferentes possibilidades voltadas para o atendimento da demanda por energia elétrica e combustíveis.

Em seguida, ele enfatizou a necessidade de conhecer a estrutura e as condições gerais para a produção de energia na ilha e enumerou, de forma geral, possíveis alternativas teóricas para a produção de energia que podem ser consideradas.

Ele citou como exemplos: 1) Exploração do potencial eólico e 2) fotovoltaico, incluindo capacidade e alternativas de armazenamento de energia (baterias) e, em particular, reservatórios de água como a melhor opção. Nesse sentido, indagou sobre a existência de possíveis reservatórios e usinas hidrelétricas reversíveis.

3) Também manifestou que seria interessante conhecer o potencial hidrelétrico a ser aproveitado. 4) Destacou a importância da queima de bagaço de cana e outros resíduos para a produção de eletricidade. 5) Avaliar a capacidade da rede elétrica para suportar a distribuição.

6) Conhecer o potencial do etanol a partir da cana-de-açúcar e, eventualmente, do milho. 7) Aproveitamento de óleo de cozinha, gordura bovina, etc., ou até mesmo mamona, para a produção de éster — uma tecnologia relativamente simples — como possível substituto do diesel. 8) A mobilidade elétrica, citando o estudo realizado para o Paraguai e a Bolívia (energia hidrelétrica e baterias de lítio).

9) Aproveitamento de resíduos orgânicos (exceto os lenhosos) na produção de biogás, possibilitando a separação em CO2 para diferentes finalidades e CH4 (metano) para fins energéticos, tendo como subproduto adubo orgânico de alto valor. Essa alternativa atenderia não apenas ao suprimento de energia, mas também representaria uma solução ambiental com uma destinação nobre para tais resíduos. Cada habitante produz ½ kg de resíduo/dia. Com 9 milhões de habitantes, tem-se um potencial de 4.500 toneladas/dia para processar. De cada tonelada de resíduos orgânicos resultam 200 m³ de biogás (65% metano), ou seja, 100 m³ de metano.

Para a mobilidade, tal solução implicaria a conversão de automóveis a gasolina (ciclo Otto) para esse combustível, substituindo a gasolina. O “kit” para o veículo tem um custo na ordem de 700 dólares; é relativamente econômico. Também é possível obter bioetanol a partir do biogás, mas é uma tecnologia mais cara. 10) Avaliar o potencial geotérmico. 11) Avaliar um programa de eficiência energética, com o objetivo de reduzir a demanda de energia. 12) Perguntou sobre a situação da Usina Nuclear de Cienfuegos. 13) Mencionou também soluções agrovoltaicas de pequena escala.

Houve muitos debates e torno das sugestões. Avaliou-se a necessidade de se discutir tanto as medidas de curto prazo para enfrentar a emergência criada com a guerra dos EUA, como também medidas de médio e longo prazos, como as que envolvem investimentos em projetos energéticos alternativos.

Na segunda reunião, realizada em 27 de agosto, as discussões continuaram com vistas a ajudar o governo e a população de Cuba a resistir e superar o criminoso bloqueio imposto ao país pelo regime neocolonial dos EUA. Alternativas de investimento foram aventadas, como o Banco do BRICS e outras.

Os participantes receberam um documento do governo cubano para subsidiar os debates. Concluiu-se que, como grupo, seriam analisados cada um dos 7 pontos propostos por Cuba e os documentos enviados, buscando avançar em ideias mais concretas. Posteriormente, seria agendada uma nova reunião para analisar os progressos e planejar, simultaneamente, uma visita presencial a Cuba, quando oportuno.

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