Ataques estão cada vez mais frequentes. Evento é reconhecido como o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul
O Exército Brasileiro realizará em setembro a oitava edição do Exercício Guardião Cibernético (EGC 8.0), reconhecido como o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul.
As Forças Armadas, governo federal, agências reguladoras, academia e empresas são alguns das instituições que participarão do evento. Com duração de cinco dias, o exercício se divide em: treinamento para combate a ciberataques; monitoramento de sistemas; simulação de ataques; dissuasão das agressões e discussão sobre as conclusões.
O EGC 8.0 terá sede em Brasília e desdobramentos em outras cidades do país: Belém (PA), Curitiba (PR), Manaus (AM), Recife (PB), Rio de Janeiro e São Paulo. No Rio, o DigiTech, do Senai/Firjan, será a base do exercício no estado fluminense.
Luiz Césio Caetano, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), afirmou que o Rio de Janeiro se tornou a base do exercício pois tem ativos de grande importância para o país, como a indústria de petróleo e gás baseada no estado.
“Todos esses setores dependem desse ambiente digital seguro. Então faz todo o sentido que o Rio de Janeiro abrigue esse exercício, e o DigiTech está amplamente capacitado, com o seu laboratório de cibersegurança, para sediar esse exercício”, afirmou. O dirigente explica que a Firjan tem investido ao longo dos anos na capacitação técnica de pessoal para o enfrentamento aos riscos que ataques cibernéticos podem representar para a indústria.
“Segurança cibernética está intimamente conectada com toda uma infraestrutura que é utilizada pela indústria. Uma infraestrutura que passa por portos, aeroportos, concessionárias elétricas, toda a questão energética. Quando falo em combustíveis, também falo dos terminais de abastecimento. Então toda essa infraestrutura física está conectada porque existe uma segurança cibernética”, acrescentou o empresário.
O relatório Cenário Global de Ameaças, divulgado pela empresa Fortinet, aponta que o Brasil registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025. Maurício Bonabitacola, gerente de operação do DigiTech Senai/Firjan, afirma que cada investida bem-sucedida causa um prejuízo médio de R$ 7 milhões, fazendo com que seja vital estar pronto para combater esse tipo de agressão.
“[O exercício] É muito parecido com uma brigada de incêndio: você não quer que aconteça o incêndio, mas você tem que simular para saber a melhor resposta e como agir”, destaca o especialista. Além de exercícios que preparam tecnicamente os diferentes setores participantes do EGC, Bonabitacola destaca no treinamento a importância da comunicação no momento de uma crise.
“Quais os órgãos que preciso comunicar? Como vai ser minha comunicação perante o público? Quem vai fazer a comunicação, o presidente, o diretor, o CISO [sigla em inglês para diretor de segurança da informação]? Como que o blue team [equipe de segurança da informação] vai interagir tecnicamente?”
Tratada como vilã em muitos momentos, Bonabitacola afirma que a inteligência artificial é uma arma essencial para fugir de ciberataques. “Temos um sistema de um parceiro dentro do DigiTech que testa vulnerabilidades dentro de uma rede. Como ele faz esses testes? Por meio de inteligência artificial, ele pega vários casos que já aconteceram no mundo todo e faz um de-para [tabela para relacionar informações] para ver se aquilo é parecido com o que está acontecendo. Então a própria inteligência artificial também alimenta a cibersegurança”, conclui Bonabitacola.
Com informações de Sputnik Brasil










