Exportações de máquinas crescem 4,6% em agosto, aponta Abimaq

Foto: José Paulo Lacerda/CNI

Presidente da Abimaq destaca que diante do tarifaço “nossas empresas agiram rápido”. “A indústria brasileira tem musculatura e competência técnica para buscar – e conquistar – novos espaços no mapa global”, afirma José Velloso

As atividades da indústria de máquinas e equipamentos em agosto, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), nesta quarta-feira (30), mostra que as exportações do setor alcançaram US$ 1,18 bilhão, um crescimento de 4,6% sobre julho de 2026.

No ano, as vendas externas acumulam crescimento de 6,2%, somando US$ 8,81 bilhões. Na comparação com agosto de 2025, houve uma queda de 6,3% nas exportações.

No ano até agosto, o desempenho positivo foi verificado em cinco dos sete grandes grupos analisados. Os avanços mais expressivos ocorreram nos segmentos de componentes para a indústria de bens de capital (+14,5%), máquinas para logística e construção civil (+13,5%), máquinas para infraestrutura e indústria de base (+13,0%), máquinas para a indústria de transformação (+11,7%) e máquinas para agricultura (+11,3%).

Apesar do tarifaço imposto por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, país que mais vende do que compra do Brasil, os EUA mantiveram a liderança de destino, somando US$ 2,25 bilhões (+4,8%), seguidos pela Argentina com US$ 918,0 milhões (-11,2%) e Singapura com US$ 596,5 milhões (+39,4%).

Em artigo publicado no site da entidade, este mês, o presidente da Abimaq, José Velloso, destacou “a resiliência da indústria brasileira”

“Diante do fantasma da taxação, nossas empresas agiram rápido: anteciparam contratos sob encomenda e remanejaram estoques de produtos seriados para os distribuidores locais antes da entrada em vigor da medida. Mais do que isso, as empresas instaladas no país já desenham novas estratégias logísticas, utilizando filiais brasileiras para abastecer terceiros mercados, enquanto outras bases atendem à demanda americana”, destacou Velloso no artigo “O custo da imprevisibilidade: O “tarifaço” americano e a resiliência da indústria brasileira“.

“A perda de espaço nos EUA tem repercussões significativas e exige readequações profundas. No entanto, o saldo global prova que a indústria brasileira tem musculatura e competência técnica para buscar – e conquistar – novos espaços no mapa global”, afirma o empresário.

“Buscar novos mercados não é apenas uma reação ao “tarifaço”; é uma obrigação permanente de sobrevivência e crescimento. A mensagem que a indústria brasileira deixa clara neste momento de turbulência é de que a imprevisibilidade externa pode até alterar nossas rotas e nos impor readequações logísticas complexas, mas jamais freará a força produtiva, a inovação e o espírito exportador do Brasil”.

Ainda sobre o mercado externo, as importações somaram US$ 2,98 bilhões em agosto, valor 1,1% superior ao registrado em julho. Em relação a agosto de 2025, o crescimento interanual foi de 16,7%.

No acumulado de janeiro a agosto deste ano, as importações cresceram 5,2% sobre o mesmo período de 2025, totalizando US$ 22,20 bilhões. Considerado o mesmo período, as máquinas e equipamentos importados representaram 47,6% do consumo nacional, participação 2,3 pontos percentuais superior à observada no mesmo período de 2025 (45,3%). A China lidera as vendas, seguida pelos Estados Unidos e Alemanha.

Ainda que a compra de equipamentos signifiquem investimentos na economia, a crescente participação dos importados representa redução da indústria local. O nível de 47,6% de participação é preocupante. Um fator determinante para essa trajetória e que repercute em outros fatores e o Real muito valorizado em relação ao dólar, que barateia os produtos importados.

As altas taxas de juros, com a Selic nas alturas, os investidores estrangeiros trazem dólares para o Brasil apenas para lucrar com a renda fixa. Esse fluxo de dólares de curto prazo pressiona o dólar para baixo, mas não financia investimentos produtivos permanentes (como infraestrutura), podendo sair do país sem restrições em função de normas facilitadoras desses movimentos, especialmente fixadas na gestão de Paulo Guedes, ministro de Bolsonaro.

MERCADO INTERNO

Focando no mercado doméstico, no acumulado de janeiro a agosto de 2026, a receita líquida de vendas registrou uma queda de 13,2% em relação ao mesmo período do ano passado, totalizando R$ 177,6 bilhões. No mês de agosto de 2026, a receita foi de R$ 23 bilhões, o que representou um recuo de 6,2% na comparação com julho de 2026 e uma queda de 15,5% frente a agosto de 2025. Esses dados confirmam que a demanda doméstica por investimento produtivo vem em queda neste ano.

A Abimaq reafirma que as descabidas taxas de juros vigentes hoje no país estão na raiz da desaceleração que a indústria de máquinas e equipamentos atravessa.

“O desaquecimento das vendas internas decorre dos efeitos defasados da política monetária restritiva sobre o crédito corporativo. As taxas de juros reais elevadas encarecem o financiamento de bens de capital, a expansão fabril e o capital de giro, inibindo novos projetos de investimento industrial”, manifestou a entidade, em nota, durante a coletiva com os resultados do setor.

O número de trabalhadores ocupados no setor recuou para 403.294 pessoas no final de agosto de 2026. A Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) subiu para 79,6% em agosto de 2026, antes, em julho, estava em 78,9%.

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