Se metendo em escândalos quase diários e com a candidatura em colapso, o pedido de socorro ao presidiário, ao que tudo indica, chegou atrasado
A crise na campanha de Flávio Bolsonaro não para. Um escândalo após o outro – o mais recente foi o apoio dele ao desvio de R$ 119 milhões em emendas parlamentares pelo presidente do PL – só faz afastar aliados e derrubar o candidato nas pesquisas. É neste contexto que surge a carta de socorro de Jair Bolsonaro, mostrada pelo candidato neste sábado (11).
A debandada geral da campanha é tão grave que Flávio recorreu ao socorro desesperado do pai, que está preso. Ele pediu que o presidiário fizesse uma carta declarando que a candidatura está de pé e que não será trocada por nenhuma outra nesta altura do campeonato. A carta está sendo interpretada como um verdadeiro “abraço de afogado”.
O desgaste começou com o áudio em que Flávio foi flagrado pedindo R$ 61 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro. O banqueiro passou o dinheiro para um fundo nos EUA que é administrado pelo esquema de Eduardo Bolsonaro. Caiu a máscara do senador que havia jurado que nunca tinha conversado com o dono do Banco Master.
O colapso da candidatura se agravou com o atrito entre Flávio e Michelle Bolsonaro. Em um vídeo ela acusou o enteado de tê-la apunhalado pelas costas e insinuou que sabia de muitos podres ligados a uma festa patrocinada pelo dono do Master que foi batizada de baile dos astronautas.
Os escândalos atingindo Flávio Bolsonaro são quase diários. Ele coleciona erros e se vê envolvido em situações complicadíssimas, como por exemplo as suas ligações e de seu grupo político no Rio de Janeiro, com o crime organizado, reveladas na operação Unha e Carne, da Polícia Federal.
Aí veio a carta de Bolsonaro. Além de ter chegado tarde, ela aparece em um momento em que a candidatura já foi abandonada. O efeito será de mostrar fraqueza. Partidos que antes disputavam a indicação da vice, estão se afastando, como é o caso do União Brasil.
Por isso, a sensação é de que o momento de “arregaçar mangas”, como pediu o presidiário em favor de seu “candidato”, já passou. A subida do governador Tarcísio de Freitas, há alguns dias, ao palanque do candidato do PSD, Ronaldo Caiado, abriu as portas para a debandada geral. Foi uma clara sinalização de que a candidatura de Flávio estava indo para o buraco.










