Grande parte dos corpos são de crianças, mulheres e idosos massacrados por bombas de Israel
Após mais de dois anos sob os escombros de suas casas destruídas durante os primeiros meses do genocídio israelense, os restos mortais de cerca de 100 palestinos foram encontrados e enterrados, neste domingo (6), no bairro de Al-Zaytoun, a sudeste da Cidade de Gaza, dando às suas famílias a oportunidade de finalmente prestar-lhes uma última homenagem.
A cerimônia fúnebre ocorreu no Cemitério dos Mártires, próximo ao Hospital Al-Ahli Al-Arabi, após os corpos terem sido recuperados de diversas casas destruídas pertencentes a conhecidas famílias como Al-Balaawi, Al-Rahim, Malaka e Salmi, assinala a agência palestina Wafa. A maioria das vítimas eram mulheres e crianças.
O cortejo fúnebre partiu da Mesquita Imam Al-Shafii, onde centenas de familiares e moradores locais se reuniram para uma última despedida. Os corpos, envoltos em lençóis com a bandeira palestina, foram então transportados para o cemitério, onde foram sepultados em valas comuns.
Para as famílias, esses reencontros com seus entes queridos representaram tanto um alívio quanto a reabertura de uma dor profunda. Por mais de dois anos, alguns viveram na expectativa de poder recuperar os corpos de seus familiares que permaneceram soterrados sob as casas destruídas.
“ELES NÃO SÃO APENAS NÚMEROS”
“Esses não são apenas números. Olhem eles: homens, mulheres, crianças e idosos”, testemunhou um parente das vítimas, lembrando que por trás de cada corpo havia uma família e uma história de vida, de trabalho.
Equipes locais da Defesa Civil, em cooperação com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), recuperaram os corpos após a disponibilização de maquinário pesado, incluindo escavadeiras, caminhões, tratores e equipamentos de remoção de entulhos, para limpar os restos de casas que desabaram sobre seus moradores durante os bombardeios criminosos de Netanyahu contra a civis na Faixa de Gaza.
Essas operações, no entanto, continuam a enfrentar dificuldades significativas devido à falta de equipamentos e ao acesso limitado às máquinas necessárias para remover os escombros e alcançar as vítimas que ainda estão soterradas.
De acordo com as equipes responsáveis pelas operações de recuperação, a segunda fase do projeto abrange mais 147 casas destruídas na Cidade de Gaza, bem como no norte e centro da Faixa de Gaza, onde acredita-se que mais de mil corpos ainda estejam soterrados sob os escombros.
Fontes médicas indicaram neste domingo que o número de mortos na ofensiva israelense contra a região desde 7 de outubro de 2023 chegou a 73.651, com 174.592 feridos.
Embora o número de mortos chegue às dezenas de milhares, a cena em Al-Zaytoun serviu como um lembrete de que por trás de cada número existem famílias que continuam a procurar seus entes queridos desaparecidos, às vezes anos após a morte deles.










