“Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez. E eu não quero que o povo pobre pague”, disse Lula, na entrevista á Renata Lo Prete, da Rede Globo
CRESCIMENTO
O presidente Lula, candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (15) em entrevista à TV Globo que “o jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo”. “Eu estou com 80 anos de idade, eu vivo isso há 50 anos, essa briga. Toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez. E eu não quero que o povo pobre pague”, disse Lula.
SEGURANÇA
Lula falou sobre Segurança. Ele citou a lei antifacções, aprovada em seu governo e detalhou o que pretende fazer para a segurança pública caso seja reeleito. “A Constituição brasileira nunca permitiu que a União se metesse na segurança pública, que era questão dos estados. Eu, agora, quero me meter. Por isso mandamos a PEC [da Segurança]. Eu quero definir o seguinte: para o trabalhador, a comunidade, queremos tranquilidade, segurança e proteção, e para os bandidos, a gente vai querer prisão”, afirmou.
Lula fez questão de frisar o seu slogan: “proteção para o povo e prisão para os bandidos”. O presidente disse que o foco vai ser combater os chefões do crime organizado, prender os traficantes e libertar os territórios. “Não é possível que ruas, praças, lojas e residências sejam mantidas reféns dos bandidos. Vamos recuperar os territórios e devolvê-los ao povo”, destacou o presidente.
MAIORIDADE PENAL
Questionado sobre a redução da maioridade penal, Lula disse ser favorável à redução da maioridade penal no caso de crimes hediondos. Atualmente, a maioridade é de 18 anos, e Lula defendeu que ela caia para 16 anos em algumas situações. “O meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a pena. Para crimes hediondos. Eu sou a favor, sou a favor”, disse.
“Eu sou favorável a reduzir para 16 [anos], mas não discutindo nessa PEC. Essa PEC não é para discutir isso. Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC, e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, acrescentou o presidente.
CRISE NO STF
Sobre relações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, dono do Master e atualmente preso, o presidente defendeu que os ministros citados sejam investigados.
“Nem os ministros da Suprema Corte estão isentos de passar para a sociedade a ideia de ética, a ideia de probidade. Ou seja, não é possível que apareçam na Suprema Corte tantas denúncias. A sociedade brasileira precisa que isso seja apurado. Eu já conversei três vezes com o presidente [do STF, Edson] Fachin, dizendo que é importante que ele, enquanto for presidente, faça a apuração que tiver que fazer e que julgue”.
Assista a entrevista na íntegra
Perguntado sobre o pedido de vista do ministro Flávio Dino, Lula disse que não interferiu, mas que, certamente o que ele queria é que todos os ministros envolvidos fossem investigados e não somente o Alexandre de Moraes.
CASO MASTER
“O [Dias] Toffoli também está implicado, o André Mendonça também está implicado e o Kássio [Nunes Marques] está implicado. Agora está todo mundo implicado”, disse Lula. Lula lembrou ainda que Alexandre d Moraes não é cobrado pelos bolsonaristas por possíveis ligações com o Banco Master, mas por ter condenado o pai do atual candidato da oposição.
O presidente afirmou que o país precisa aproveitar as revelações do caso Master para estabelecer regras éticas mais rígidas no Judiciário. Segundo ele, os episódios envolvendo ministros do Supremo deveriam servir para “moralizar muitas coisas no país”.
NEGOCIAÇÕES COM TRUMP
Sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos, Lula disse apostar na negociação comercial, mas não descartou adotar medidas de reciprocidade para fazer frente aos tarifaços impostos por Donald Trump. O presidente afirmou que poderá adotar medidas de reciprocidade comercial contra os Estados Unidos caso não consiga chegar a um acordo sobre as tarifas impostas aos produtos brasileiros.
“Não quero fazer. Eu quero continuar negociando, mas se for necessário fazer, nós vamos fazer”, disse. Ele afirmou também que, apesar das tensões iniciais com o governo americano e dos tarifaços aplicados ao Brasil em 2025 e 2026, conseguiu estabelecer uma relação civilizada com Trump e que os dois já tiveram três conversas.
Segundo Lula, representantes dos dois governos continuaram negociando, e ele acredita que será possível chegar a um acordo. O presidente destacou que o Brasil ampliou suas relações comerciais com outros países, apesar da queda de 9% no comércio com os Estados Unidos. “Acho que eles têm mais a perder do que nós”, afirmou.
RELAÇÕES COM O CONGRESSO
Sobre suas relações com o Congresso, Lula disse que, com exceção do PL, todos os partidos participaram do seu governo. “Tivemos uma grande participação das pessoas no governo. É por isso que nós conseguimos aprovar tudo. E se não for assim, você não governa o país”, disse.
Questionado sobre a ação dos Estados Unidos de classificar como organizações terroristas as facções criminosas brasileiras PCC e CV, o presidente manteve a posição contrária à decisão. Segundo Lula, os grupos criminosos são “terroristas” com os cidadãos brasileiros em seus territórios, mas isso é diferente do terrorismo cometido por grupos contra países, como enquadraram os EUA. Ele citou como exemplo os ataques do 11 de Setembro de 2001.
“Quando os Estados Unidos falam em terrorismo, ele fala em terrorismo de estado, em terrorismo como aqueles que atentaram contra as duas torres americanas, como aquele que quer dar golpe de estado. Não é o caso das facções e do crime organizado do Brasil, que só querem o dinheiro”, disse.










