Medida descabida é apoiada pelo clã Bolsonaro e visa pressionar a soberania do país, prejudicar empresas nacionais e atingir o PIX
O governo Trump decidiu nesta segunda-feira (1º) impor um novo tarifaço contra os produtos brasileiros que entram no mercado americano. O ataque ao Brasil está sendo visto como uma das consequências do trabalho de sabotagem feito pela família Bolsonaro contra os interesses do país.
O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem déficit comercial com os EUA, num total de cerca de US$ 400 bilhões nos últimos 15 anos. Mas, mesmo assim, o governo americano usou um pretexto falso de que o Brasil estaria adotando práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os americanos, para impor novas tarifas de 25% a ‘todas as mercadorias’ brasileiras.
Entre as acusações que os Estados Unidos fazem ao Brasil para justificar o ataque aos produtos e às empresas brasileiras estão a de que o PIX prejudicaria empresas americanas. Ele se refere aos cartões Visa e Mastercard, que cobram taxas exorbitantes dos usuários, enquanto o PIX é gratuito para pessoas físicas. O governo dos EUA incluiu também como pretextos para o ataque, o desmatamento ilegal, a pirataria e supostas falhas na aplicação de leis anticorrupção.
O Escritório de Comércio dos EUA, órgão responsável pela decisão de sobretaxar os produtos brasileiros, porém, incluiu uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos pelos EUA, como carne, frutas, café, aeronaves, terras raras, entre outras.
Registre-se que o senador Flávio Bolsonaro esteve recentemente nos EUA pedindo a Trump que voltasse a sancionar a economia brasileira. O presidente dos Estados Unidos se aproveitou de mais este comportamento lamentável do traidor da pátria e voltou a atacar o Brasil. O candidato da extrema-direita brasileira já havia aplaudido o tarifaço anterior, tinha pedido mais sanções ao Brasil e chegou a solicitar a Trump a intervenção militar e da CIA nos assuntos de Segurança Pública do Brasil.
Donald Trump também se aproveitou disso para classificar facções criminosas do Brasil como organizações terroristas. A medida, segundo especialistas, é ineficaz e prejudica o trabalho das polícias, ao transferir o assunto para esfera de segurança nacional americana e, portanto, para a CIA e as FFAA dos EUA. Para promotores brasileiros, isso abre espaço para intervenções americanas no Brasil nos moldes do que ocorreu na Venezuela e México.
O presidente Lula reagiu imediatamente à notícia do novo tarifaço. “A gente está lidando com a pior espécie de ser humano. Nunca esse país teve a sordidez política que a gente teve com essa família metralha”, disse o presidente. “Ele [Flávio] hoje foi dizer que não falou nada. Ele foi pedir arrego. Trump, dá uma porrada no Lula, imbecil”, denunciou Lula. “Ele vai prejudicar o povo, os empresários brasileiros, o agronegócio nosso. Como deus escreve certo por linhas tortas”, acrescentou o chefe do Executivo brasileiro.
A investigação comercial baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta em julho de 2025, passou a ser um dos principais instrumentos de pressão do governo americano contra o comércio brasileiro. O mecanismo, criado pelo Congresso dos EUA, permite ao governo americano investigar países cujas políticas ou práticas sejam consideradas prejudiciais ao comércio, às empresas ou aos exportadores americanos.
Em sua recente viagem aos EUA, o presidente Lula mostrou a Trump, com números e provas, que o comércio entre os dois países é extremamente favorável aos Estados Unidos. Ele contestou todas as alegações sobre supostas práticas comerciais prejudiciais do Brasil. Mesmo assim, o chefe da casa Branca decidiu impor as novas tarifas aos produtos brasileiros.
A nova decisão é mais um obstáculo aos planos do presidente Lula de realizar uma nova conversa com Trump para tentar evitar retaliações financeiras e impactos econômicos relacionados à recente classificação do PCC e do CV como grupos terroristas. A classificação põe em risco a soberania brasileira e pode resultar em ataques ao sistema brasileiro PIX de pagamentos.
Em uma outra manifestação de desrespeito ao país e à soberania brasileira, o órgão de comércio dos EUA afirma que tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas para que empresas americanas de mídia social removessem conteúdos políticos e suspendessem perfis de residentes nos EUA. O órgão também desrespeita a Justiça brasileira ao criticar a aplicação de multas, restrições a ativos e contas bancárias de criminosos.











