O Grande Júri da Flórida concluiu que o governador do estado, o republicano Ron DeSantis, “se apropriou indevidamente” de US$ 10 milhões de fundos do contribuinte americano provenientes de um acordo do Medicaid para a ‘Hope Florida’, uma organização com ligações com a esposa do governador, a primeira-dama Casey DeSantis.
Nos EUA, um Grande Júri tem a função de decidir se o governo tem provas suficientes para acusar oficialmente alguém de um crime sério, são formados por grupos de cidadãos americanos com 16 a 23 membros.
De acordo com um documento sigiloso obtido pelo canal de notícias americano, ‘CBS News Miami’, divulgado na quarta-feira, o Grande Júri concluiu que a transferência dos 10 milhões de dólares fazia “parte de um esquema sofisticado para financiar atividades políticas”, mas ao mesmo tempo não encontraram “evidências suficientes para acusar alguém criminalmente”, ou seja, ninguém vai ser acusado formalmente de ter roubado o dinheiro.
“Ninguém assume a responsabilidade por ter decidido que os 10 milhões de dólares do contribuinte seriam destinados à Hope Florida… ou sequer se lembra de quem fez essa escolha”, concluiu o relatório do Grande Júri.
O relatório do júri, com data de 28 de janeiro de 2026, concluiu que a ‘Hope Florida Foundation’ recebeu os US$ 10 milhões como uma “doação” de um acordo com o Medicaid de US$ 67 milhões do estado da Flórida com a Centene, a maior empresa privada contratada pelo Medicaid do estado da Flórida.
Medicaid é um programa de assistência médica nos EUA para famílias americanas de baixa renda, oferecendo seguro-saúde gratuito ou de baixo custo.
O dinheiro doado teria o objetivo de “ser um programa de assistência social baseado na comunidade, que servisse como uma alternativa economicamente eficiente aos programas de assistência governamental”, mas o relatório do Grande Júri fez a constatação de que o dinheiro foi usado por organizações que ajudaram a fazer uma campanha contra uma proposta de emenda constitucional do estado da Flórida para legalização do uso recreativo da maconha em 2024.
O governador da Flórida, DeSantis, disse que outras investigações de 2025 sobre o esquema descoberto eram parte de uma campanha de difamação contra ele e sua esposa.
A procuradora-geral da Flórida na época do esquema, Ashley Moody, que agora está concorrendo para o senado americano pelo partido republicano, depois de ter sido nomeada por DeSantis para ocupar a vaga do Secretário de Estado Marco Rubio no Senado, foi apontada pelo Grande Júri como estando ciente do plano de desvio do pagamento e chegou a dar a autorização para seu ex-chefe de gabinete, John Guard, assinar o acordo. Mesmo assim Moody não foi chamada para dar depoimento.
O atual procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, que anteriormente era chefe de gabinete de DeSantis, também foi apontado como estando em “posição de autoridade sobre os envolvidos no acordo”.
“Os depoimentos o identificaram como envolvido na destinação dos fundos após sua transferência para a Hope Florida. Os depoimentos também revelaram que o comitê de ação política Keep Florida Clean, do Sr. Uthmeier, foi o principal beneficiário da maior parte dos US$ 10 milhões provenientes dos impostos”, concluiu o relatório do Grande Júri.










