Os manifestantes denunciam a estagnação dos salários, a inflação nos preços dos combustíveis e alimentos, além da falta de acesso à moradia digna. Mobilização alcançou mais de 50 cidades
Mais de 1 milhão de estudantes e trabalhadores tomaram as ruas de mais de 50 cidades da Itália nesta sexta-feira (30) em uma histórica Greve Geral contra o governo de extrema-direita da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Convocadas pela União Sindical de Base (USB), as mobilizações ocuparam centros urbanos como Roma, Milão, Nápoles e Turim, dando sequência ao forte levante popular que ganha força na Europa desde meados de outubro.
A indignação popular tem como motivo a escalada da crise econômica e o arrocho social impostos à população. Os manifestantes denunciam a estagnação dos salários, a inflação desenfreada nos preços dos combustíveis e alimentos, além da falta de acesso à moradia digna e o empobrecimento das famílias de renda baixa e média, exigindo o fim imediato do aumento dos gastos públicos voltados à militarização. Os sindicatos calculam que a Greve Geral levou até 1,5 milhão de manifestantes às ruas italianas.
Stefano De Angelis, da executiva nacional da USB, afirmou: “Trabalhadores, setores populares, pessoas sem-teto e produtores agrícolas mobilizaram-se contra a crise econômica que este governo nos está impondo para financiar o rearmamento e os gastos militares, que não têm nada a ver com os interesses da população”.

Em Roma, a principal manifestação partiu da Piazza del Cinquecento, convocada por sindicatos de base e coletivos estudantis, e avançou até as imediações do Coliseu.
O Ministério de Infraestruturas e Transportes, chefiado por Matteo Salvini, determinou o adiamento da greve nos setores aéreo, ferroviário, marítimo e de transporte público local, bem como nos serviços de táxi e outras atividades relacionadas.
A decisão baseou-se em um pronunciamento da Comissão de Garantia sobre o cumprimento das normas que restringem greves durante determinados períodos festivos — neste caso, devido à proximidade do Dia de Finados e do Dia de Todos os Santos.
No entanto, a USB rejeitou a determinação ministerial, classificando-a como ilegítima, e manteve a convocação para os trabalhadores desses setores; por isso, poderão ocorrer impasses e eventuais transtornos nos serviços.









