O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a atacar a privatização da Sabesp e direcionou críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmando que contratos firmados por ele na área de infraestrutura precisaram ser revistos posteriormente pelo governo federal. Durante agenda pública, Haddad também questionou a condução do processo que levou à venda da companhia de saneamento paulista e o desempenho da Equatorial, empresa que se tornou acionista relevante da estatal após a privatização.
Ao comentar a atuação de Tarcísio quando esteve à frente do Ministério da Infraestrutura, entre 2019 e 2022, Haddad afirmou que concessões ferroviárias assinadas naquele período apresentaram problemas que exigiram correções posteriores.
“Praticamente todos os contratos de concessão ferroviária do Tarcísio no Ministério dos Transportes tiveram que ser refeitos”, declarou.
Na sequência, o petista elevou o tom das críticas ao governador. “Quase todos os contratos de concessão de ferrovia do Tarcísio como ministro tiveram que ser refeitos pelo Renan Filho, ministro atual, com o acompanhamento do Tribunal de Contas da União. Ele é especialista em assinar contrato mal feito”.
Antes de assumir o ministério no governo de Jair Bolsonaro, Tarcísio também comandou o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), onde exerceu o cargo de diretor-geral entre 2011 e 2015.
As declarações acontecem em meio às discussões sobre os efeitos da privatização da Sabesp, concluída em 2024. Na operação, a Equatorial Participações e Investimentos adquiriu um bloco correspondente a 15% das ações da companhia por R$ 6,9 bilhões.
Haddad afirmou que o processo apresentou falhas desde a elaboração do edital até a definição do investidor que assumiu participação na empresa. Segundo ele, houve redução do interesse de potenciais concorrentes ao longo da disputa, resultando na presença de apenas um participante na etapa final.
“Tudo mal explicado em relação à própria privatização, a maneira como eles construíram o edital, a desistência dos participantes até chegar num único participante, que é Equatorial, que vem se comportando muito mal frente ao consumidor do serviço público”, afirmou.
O ex-ministro da Educação também defende uma análise detalhada do contrato firmado pelo governo paulista com a iniciativa privada. Segundo ele, uma eventual revisão dos termos dependeria da verificação das cláusulas existentes, especialmente aquelas voltadas à proteção dos consumidores. Haddad já indicou que, caso seja eleito governador, poderá reavaliar os termos da concessão antes de discutir qualquer possibilidade de reestatização da companhia.
As críticas ganharam repercussão após episódios recentes envolvendo a Sabesp. Entre eles está o vazamento de gás ocorrido durante uma obra da empresa no bairro do Jaguaré, na zona oeste da capital paulista.
Além da pauta relacionada ao saneamento, Haddad comentou as negociações para a formação de sua chapa na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Segundo ele, a escolha do candidato a vice-governador ainda depende de conversas conduzidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com lideranças dos partidos aliados.
“Acredito que vai ser para logo. Depende um pouquinho da agenda do presidente [Lula], também, que quer conversar com os companheiros do PSB, sobretudo, tem mantido conversas com o João Campos também, com o Márcio [França], com a própria Simone [Tebet]. Mas eu penso que, tendo o presidente Lula, o vice-presidente [Geraldo] Alckmin na mesa, fica tudo mais fácil de resolver”, disse.
De acordo com Haddad, as negociações dentro do PSB são um dos principais pontos que ainda precisam ser superados para a definição da chapa.
“Por isso, a participação do vice-presidente [Alckmin] é importante”, destacou.
Nos bastidores, aliados do ex-prefeito de São Paulo avaliam que a escolha do vice passa por divergências envolvendo Simone Tebet e Márcio França. Os dois, assim como Marina Silva, também aparecem entre os nomes cotados para disputar uma vaga no Senado, cenário que depende de um rearranjo das candidaturas dentro da base de apoio ao presidente Lula.
Haddad critica privatização da Sabesp e chama Tarcísio de “especialista em contrato mal feito”










