Haddad escancara vínculo de Tarcísio com Milton Leite, preso por elo com o PCC

Fernando Haddad - Foto: Reprodução/TV Globo

Na última terça-feira (29), os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) fizeram na TV Globo, o último debate do 1º turno, em um encontro nacionalizado. Em um primeiro turno sem nenhum outro candidato com representatividade no Congresso Nacional, os dois chegam à reta final da campanha concentrando as atenções na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.

Os temas mais presentes na campanha, como a privatização da Sabesp, os resultados da Educação paulista, as concessões no setor do transporte e os números do feminicídio voltaram à tona. 

Haddad citou durante o debate os vínculos de Tarcísio de Freitas com o ex-vereador Milton Leite (União), preso no último dia 18 por relação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital.

“Tarcísio você estava pedindo voto há 15 dias atrás para os filhos do Milton Leite, que está preso. Você fala que a sua polícia estava investigando, ninguém te informou que você não devia subir no palanque de alguém que seria preso 15 dias depois?”, questionou, adicionando que Leite seria um “prefeito sombra”, que comandaria a capital.

Tarcísio respondeu afirmando que sua relação com o ex-parlamentar “sempre foi institucional”. “Eles não tem nada no governo de São Paulo, nenhum cargo”, disse. Em 30 de agosto, Tarcísio participou de um evento de campanha da família Leite para apoiar as candidaturas dos filhos do ex-vereador.

Homem forte da política paulistana por décadas e aliado de Tarcísio, Milton foi citado nominalmente como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC, segundo a polícia.

As investigações constataram que pelo menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo de São Paulo seriam, em tese, controladas pelo PCC. Essa infiltração, segundo as autoridades, ocorria por meio de uma estrutura organizada que combina o uso de empresas de fachada, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais.

Haddad também voltou a questionar o contrato de R$ 157 milhões firmado pela Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil para a implantação de wi-fi público. O instituto subcontratou uma empresa para executar o serviço técnico, mas a parceria terminou em meio a acusações de irregularidades.

Da mesma forma, Haddad criticou duramente a política de concessões e privatizações do governo de Tarcísio de Freitas em São Paulo, com foco especial na CPTM. “E eu quero te dizer, Tarcísio, tem uma coisa que você fez que é imperdoável. Você privatizou tudo. Você entregou a CPTM para gente que não entende de trem, que está explodindo o trem. Você está onerando os cofres públicos com indenizações para empresários amigos […] nem o tribunal de contas está entendendo o que você está fazendo. Nós vamos parar esse processo de privatização desenfreada que você lançou.”

“Se parar de privatizar, nós vamos encontrar caminho para financiar o bilhete metropolitano”, disse Haddad, que também culpou as privatizações de Tarcísio pelas explosões registradas em trens da capital. 

Tarcísio se defendeu: “A gente não faz privatização para fazer, a gente faz para melhorar o serviço e as pessoas vão ver. A gente não consegue construir um prédio pela cobertura, a gente começa pela fundação”, disse.

Por fim, Tarcísio de Freitas questionou Fernando Haddad sobre propostas para a saúde. O petista classificou a situação do setor em São Paulo como “muito delicada”, criticou as filas do SUS e afirmou que, enquanto a espera por atendimento teria avançado 42% mais rápido no país, o índice paulista foi de 32%. Haddad também citou um relatório do Tribunal de Contas da União que, segundo ele, apontou aumento de até 300% nas filas de determinadas cirurgias.

O candidato do PT ainda criticou a estrutura de saúde da Baixada Santista, afirmou que São Paulo não financia o Samu com recursos estaduais e defendeu a criação de hospitais-dia para reduzir a sobrecarga das unidades gerais. Em resposta, Tarcísio destacou a criação da Tabela SUS Paulista, que complementa os repasses a hospitais filantrópicos e municipais, e mencionou a abertura de novos leitos.

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