Juros elevados travam acesso ao crédito para 76% das empresas do setor
A cobrança de juros excessivos, a exigência de “garantias” e a burocracia pelos bancos seguem entre os principais obstáculos à indústria entre fevereiro e julho de 2026, revela pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (9).
A sondagem aponta que 76% das empresas do setor reclamam dos altos juros cobrados no crédito de curto ou médio prazo (até cinco anos). No caso do crédito de longo prazo (acima de cinco anos), são 69% dos empresários.
Ante o ambiente de usura, metade das empresas industriais (49,9%) não buscou contratar ou renovar crédito de curto/médio prazo no período. Somente 22,9% contrataram ou renovaram financiamento, enquanto 7,5% tentaram, mas não conseguiram obter os recursos.
Em agosto deste ano, a taxa média de juros das operações com recursos livres (isto é, de mercado) estava em 48,5% ao ano, registrando uma alta de 2,3 p.p. em doze meses. No crédito livre às empresas, a taxa média figurava em 24,2% a.a.
O spread bancário subiu de 26,7% para 27,7% na comparação mensal. Entre as modalidades de crédito, a maior taxa cobrada para as pessoas jurídicas é a do teto rotativo para capital de giro, que foi a 40,4% a.a. – recorde da série histórica. A inadimplência nessa modalidade atingiu o recorde de 12%.
O custo do crédito e a inadimplência seguem em patamares elevados no país devido ao ritmo a conta-gotas de cortes na taxa básica da economia (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, por definição do Banco Central (BC).
A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, lembra que a Selic iniciou o ano em 15%. “A queda dos juros leva um tempo para se refletir no custo do crédito, que ainda chega bastante elevado para as empresas”, explica Colusso, ao ressaltar que há outros elementos estruturais por trás desse custo do crédito, para além da Selic. “A gente também tem que lembrar da questão do spread, da tributação por trás dessas operações de crédito, das exigências de garantias. Tudo isso tem sido uma dificuldade adicional para as empresas.”, aponta a analista.
Os empresários (33,4%) também reclamam das exigências de garantias reais, como bens imóveis, pelas instituições financeiras, apontadas como o segundo maior entrave ao crédito de curto/médio prazo. Em relação às operações de longo prazo, esse problema foi mencionado por 31,5% dos industriais.
Outros 13,6% das empresas também se queixam da burocracia que o setor financeiro impõe ao acesso ao crédito de curto/médio prazo. No caso do crédito de longo prazo, o problema foi o prazo de carência menor do que o necessário (18,9%), o que indica que as empresas gostariam de ter mais tempo para começar a pagar as linhas de crédito pretendidas.
A CNI consultou 1.701 empresas industriais, sendo 692 de pequeno porte, 612 de médio porte e 397 de grande porte. A sondagem foi realizada entre os dias 3 e 12 de agosto de 2026.











