Iedi alerta sobre o peso dos juros para a indústria de transformação
Em maio, a produção industrial nacional recuou em nove das 15 regiões investigadas pela Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Desempenhos negativos nas indústrias da Bahia (-8,9%), Mato Grosso (-3,2%), Região Nordeste (-3,2%), Minas Gerais (-1,7%), Rio Grande do Sul (-1,1%), Pará (-1,0%), Espírito Santo (-0,5%), Rio de Janeiro (-0,3%) e São Paulo (-0,1%) resultaram em uma queda nacional de 0,2% na passagem de abril para maio.
Do outro lado, Ceará (3,2%), Pernambuco (2,4%), Santa Catarina (2,3%), Amazonas (2,1%), Paraná (1,4%) e Goiás (0,7%) compuseram as regiões com resultados positivos na indústria.
Com o primeiro resultado negativo no ano (-02% em maio em relação a abril), na comparação com maio do ano passado, a indústria brasileira apresentou variação positiva de 0,2%, com cinco dos dezoito locais pesquisados apontando expansão na produção. Espírito Santo (10,8%) e Rio de Janeiro (7,4%), devido à atividade das indústrias extrativas, tiveram os melhores resultados regionais na comparação anual.
PESO DOS JUROS
Como observou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), “em uma primeira perspectiva, o desempenho da indústria em 2026, pelo menos até agora, está fundamentalmente baseado no ramo extrativo, que como se sabe é uma atividade bastante exportadora. No acumulado jan-mai/26, chega a uma alta de +7,9%. Por outro lado, a indústria de transformação, mais sensível aos juros, está virtualmente parada: +0,2% ante jan-mai/25”.
“Na perspectiva dos macrossetores, a maior reviravolta veio de bens de capital, cuja produção crescia +1,4% em jan-mai/25 (quando já dava sinais de enfraquecimento, vale lembrar) e agora em jan-mai/26 caiu -6,2%. A grande maioria dos seus segmentos estão no vermelho, com destaque para bens de capital para a agricultura (-16,9%), mas também para a indústria (-4,5%)”, continua o Iedi.
“Se os produtores rurais estão sobre endividados, como a imprensa vem noticiando, a situação na indústria é longe de salutar”, alerta a entidade da indústria. “Sondagem da CNI mostra que no final de 2025, 43% das empresas entrevistadas estavam no limite ou acima do limite desejável de endividamento. Em pesquisa mais recente, divulgada em jun/26, a CNI avalia que 45% das empresas esperavam aumento do endividamento na virada do semestre, entre 45% e 52% viam aumento do custo de financiamento de contas a pagar, a receber e de estoques e 64% esperavam queda de margem líquida”.
No acumulado do ano, o setor produtivo cresceu 1,4% na média nacional e em metade (nove) das regiões pesquisadas. Espírito Santo (21,9%) e Pernambuco (14,9%) tiveram os melhores desempenhos, também resultado do da atividade das indústrias extrativas (óleos brutos de petróleo, minérios de ferro pelotizados ou sinterizados e gás natural) e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. Rio de Janeiro (7,8%), Mato Grosso do Sul (5,3%), Mato Grosso (3,5%), Rio Grande do Sul (2,3%) e Goiás (1,8%) também registraram avanços melhores que a média nacional.
A indústria paulista, que é a maior e mais diversa do Brasil, recuou -0,5% no acumulado do ano, -0,1% na variação mensal e 1% ante maio do ano passado.











