Intransigência de Tarcísio mantém greve e afeta milhares de passageiros na Grande São Paulo

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A greve dos ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) entrou no segundo dia nesta quarta-feira (5), mantendo a circulação parcial dos trens e afetando milhares de passageiros que dependem diariamente do sistema ferroviário para se deslocar entre a capital paulista, o Alto Tietê e o Aeroporto Internacional de Guarulhos.

A manutenção da paralisação foi decidida em assembleia realizada na noite de terça-feira (4). Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), o governo não apresentou garantia formal de preservação dos empregos dos 4.700 ferroviários que passam por plano de demissão com a concessão das linhas à iniciativa privada.

Para o sindicato, a continuidade da greve é consequência da falta de disposição do governo para negociar a principal reivindicação da categoria. Os ferroviários afirmam que, desde o início do processo de concessão das linhas 11, 12 e 13, o Estado não assumiu um compromisso oficial de manutenção dos postos de trabalho.

A crise se agravou após o acidente que interrompeu a operação das linhas concedidas, levando o próprio governo a determinar que a CPTM reassumisse, por até 90 dias, a operação dos ramais. Para a entidade, a decisão evidenciou a dependência do sistema em relação aos trabalhadores da companhia estatal e tornou ainda mais preocupante a ausência de garantias para esses mesmos profissionais.

Enquanto as negociações permanecem sem acordo, milhares de passageiros enfrentaram novamente plataformas lotadas, redução da oferta de trens, alterações nos trajetos e maior tempo de deslocamento. As linhas 11-Coral e 12-Safira operaram parcialmente, enquanto a Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto permaneceram paralisados durante boa parte do dia. O rodízio municipal de veículos voltou a ser suspenso pela Prefeitura de São Paulo para minimizar os impactos da paralisação sobre a mobilidade urbana.

No primeiro dia da greve, o governador Tarcísio de Freitas afirmou que o movimento teria “motivação político-partidária”. Em resposta, o STEFZCB divulgou uma nota afirmando que a paralisação foi aprovada democraticamente em assembleia e que a única condição para o encerramento do movimento é a apresentação de uma garantia “concreta, oficial e inequívoca” de manutenção dos empregos dos ferroviários.

Uma nova assembleia da categoria está prevista para o fim da tarde desta quarta-feira (5). Até lá, o sindicato afirma que a greve será mantida e que permanece aberto ao diálogo.

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