A Avibrás, fabricante de armas e sistemas de defesa, considerada estratégica para o Brasil por fabricar o sistema de foguetes Astros e mísseis de defesa, depois de três anos e meio parada, voltou à produção. Os empresários brasileiros Joesley e Wesley Batista compraram 100% das ações, em acordo divulgado este mês.
Nos últimos meses a empresa “respirava por aparelhos” e escapou de cair em mãos estrangeiras (da australiana DefendTex). Seria uma desgraça para o sistema de defesa brasileiro, por motivos óbvios, o que só não aconteceu devido à intervenção do governo Lula, do BNDES e do FINEP e à resistência dos trabalhadores e da sociedade civil. A Avibrás estava em recuperação judicial desde 2022 e enfrentou longos períodos de paralisação e greve.
Na opinião de militares da reserva, parlamentares e sindicalistas da categoria, o ideal é que o Estado detivesse o controle da Avibrás, fosse através da estatização ou, pelo menos, do regime golden share, quando o Estado tem poder de veto sobre decisões estratégicas, mesmo sendo acionista minoritário, assim como é na Embraer.
São empresas que dependem de encomendas e de financiamento do Estado para produção e pesquisa. No mercado internacional, disputam com gigantes monopólios estatais. Sua atividade é fundamental para os interesses geopolíticos nacionais.
Durante a década de 80, o Brasil estava entre os oito maiores exportadores na indústria de armas. Por abandono ou desconhecimento, empresas modelos como a Avibrás, a Engesa, quase ou mesmo desapareceram.
O BNDES, em ações conjuntas com o FINEP, está injetando recursos que já ultrapassam os R$ 300 milhões, atuando para apoiar e viabilizar o controle nacional da empresa. Graças a esta intervenção foi evitada a desnacionalização e foi possível dar início, imediatamente, às pesquisas e estudos para produção de drones e mísseis necessários ao moderno sistema de defesa.
CARLOS PEREIRA










