Esquenta a reta final da campanha em atos com milhares de pessoas nas duas cidades mineiras
O presidente Lula (PT) levou a campanha às ruas de cidades do Estado de Minas Gerais nesta sexta-feira (16), com mobilizações em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e em Ipatinga, no Vale do Aço.
Os atos reuniram multidões de apoiadores e marcaram ofensiva na reta final da disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), cujo segundo turno será realizado em 25 de outubro.
A agenda mineira ganhou peso político após a divulgação de pesquisas que apontam disputa apertada. Em Juiz de Fora, Lula participou de caminhada pelo centro da cidade e discursou diante de apoiadores. Depois, seguiu para Ipatinga, região de tradição operária, onde voltou a relacionar a eleição à defesa dos direitos trabalhistas.
O principal trunfo do dia foi a promulgação da PEC 221/19, transformada na EC (Emenda à Constituição) 141/26, que acaba com a escala 6×1 e estabelece a redução gradual da jornada semanal para 40 horas, sem corte salarial.

Lula participou da sessão solene no Congresso antes de seguir para Minas e levou a conquista ao centro dos discursos proferidos em ambas às cidades mineiras.
“Quem vai ganhar é o Brasil. Quem vai ganhar é o povo trabalhador”, afirmou o presidente em Juiz de Fora, ao defender a mudança e destacar os benefícios para as mulheres, que poderão ter mais tempo para descansar e cuidar da família.
ESCALA 6X1 VIRA BANDEIRA ELEITORAL
Lula usou a conquista trabalhista para confrontar o projeto de Flávio Bolsonaro. “Se a gente errar no voto, os bolsonaristas vão acabar e voltar com a escala [6×1]”, afirmou em Juiz de Fora, defendendo que os eleitores considerem o impacto da escolha nas condições de vida dos trabalhadores.
O presidente também voltou a prometer transporte público gratuito nos fins de semana e pediu mobilização para levar às urnas eleitores que se abstiveram no primeiro turno. “A gente não pode deixar que o fascismo venha a governar este País”, declarou, ao alertar para os riscos de retorno do bolsonarismo ao Planalto.
NO VALE DO AÇO, APELO À CLASSE TRABALHADORA
Em Ipatinga, Lula resgatou a tradição operária do Vale do Aço e a própria trajetória no movimento sindical. A região, marcada pela atividade industrial, é estratégica para a disputa em Minas Gerais, Estado em que Flávio terminou o primeiro turno à frente do petista.
“Não é possível que a região mais operária de Minas Gerais, aquela que produz grande parte da riqueza deste País, vote em um direitista”, disse Lula, ao associar o adversário inimigo dos interesses dos trabalhadores.
A passagem por ambas as cidades integra a estratégia de ampliar os apoios no interior mineiro.
Em 2022, Lula venceu a disputa estadual no segundo turno por margem estreita; em 2026, Flávio largou na frente, com vantagem de aproximadamente 4,9 pontos percentuais no primeiro turno. Recuperar terreno em Minas é, portanto, um dos desafios da campanha do presidente Lula.
MOBILIZAÇÃO ATÉ 25 DE OUTUBRO
Os atos em Juiz de Fora e Ipatinga reforçam a aposta de Lula na mobilização presencial e na defesa de medidas sociais e trabalhistas para conquistar votos na reta final.
A promulgação do fim da escala 6×1 oferece ao presidente resultado concreto para apresentar ao eleitorado, enquanto a promessa de passe livre nos fins de semana amplia o repertório de propostas.
A 9 dias da votação, que vai ocorrer dia 25, a campanha tenta converter a presença nas ruas em participação eleitoral. Lula pediu que apoiadores convençam indecisos e eleitores ausentes no primeiro turno a comparecer às urnas.
A disputa segue apertada e aberta. As manifestações demonstram capacidade de mobilização, mas não substituem o trabalho de conquistar votos. Até 25 de outubro, o desafio será transformar o entusiasmo dos atos, inclusive nas redes, em apoio efetivo nas urnas.











