Comprometimento da renda das famílias com dívidas é recorde: 29,7%, diz BC. Taxa média de juros a pessoas físicas atinge 61,5%, em março
O comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas chegou a 29,7% em fevereiro deste ano, segundo dados do Sistema Financeiro Nacional (SFN), divulgados nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central (BC). O patamar atinge um novo teto histórico da pesquisa, iniciada em março de 2011.
O recorde anterior havia sido registrado em janeiro, em 29,5%. A sondagem leva em conta a renda total das famílias descontando pagamentos de impostos e contribuições.
A fim de melhorar as condições de endividamento das famílias, o governo Lula deve anunciar uma nova versão do “Desenrola Brasil”, criado em 2023. Nesta segunda-feira, o Ministério da Fazenda deve se reunir com representantes de bancos em São Paulo para definir os últimos detalhes do programa, que deve incluir microempreendedores e pequenos empresários e devedores que recebem até cinco salários mínimos.
O “Desenrola” deve seguir com juros mensais baixos, de 2% e com bancos oferecendo descontos que variam de 20% a 90% sobre o valor total da dívida (principal e encargos). Além disso, os devedores poderão utilizar até 20% do saldo do FGTS para a quitação dos débitos. Esse refinanciamento terá aval do governo federal, através do Fundo Garantidor de Crédito. O aporte do Tesouro seria de até R$ 10 bilhões para o caso de não pagamento.
Em fevereiro, o endividamento total das pessoas físicas com os bancos renovou a máxima da série histórica, atingindo 49,9%. Contudo, o elevado endividamento não seria um problema se os juros no Brasil não estivessem em níveis proibitivos.
Ocorre que, ao fixar uma taxa Selic próxima de 15% ao ano, o BC cria entraves para a recuperação financeira das famílias, pois inviabiliza renegociações a juros mais baratos. Além disso, os juros nas alturas alimentam a inadimplência em uma economia que desaquece, por efeito também dos elevados juros: que inibem os investimentos privados e públicos, proíbem o aumento do consumo e, por consequência, há eliminação de vagas formais de trabalho no país.
Em março, a taxa média de juros atingiu 61,5% a.a. no crédito livre às pessoas físicas. Segundo o BC, no mês passado, a inadimplência chegou a 5,3% nas operações de crédito às famílias.
De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC) 80,2% das famílias estavam endividadas em março deste ano. Sendo que destes, quase 30% afirmavam que não estavam conseguindo pagar as suas contas – ou seja, estavam inadimplentes – tendo seus CPFs negativados. Essa sondagem considera as dívidas com o cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Já o indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil revela que em março 74,31 milhões de brasileiros estavam inadimplentes. O volume representa 44,42% da população adulta brasileira. A pesquisa da CNDL leva em conta as dúvidas básicas, como água e Luz (27,28%), seguido de Bancos (17,26%), Comunicação (14,82%) e Comércio (2,14%).











