Kalil confronta Mateus Simões sobre feminicídios em Minas: “Você está em Nárnia?”

Alexandre Kalil, durante o debate em Minas - Foto: Rfeprdodução/Band

No primeiro debate realizado pela TV Band, entre os candidatos ao governo de Minas Gerais, cinco postulantes ao pleito estadual participaram do encontro, que abordou os principais desafios de Minas Gerais. O estado tem o segundo maior colégio eleitoral do país, com mais de 16 milhões de eleitores, e deve registrar o maior número de candidatos ao governo desde a redemocratização, com 11 nomes na disputa.

Em um dos momentos marcantes, o candidato do PDT ao governo de Minas, Alexandre Kalil, reagiu ao questionamento do governador Mateus Simões (PSD) sobre feminicídio e atacou a política de segurança pública da atual gestão. 

Ao ser confrontado com uma declaração dada em 2022 sobre violência doméstica e feminicídio, Kalil respondeu: “Uai, Mateus, você está em Nárnia?”.

Simões havia escolhido o tema feminicídio para perguntar a Kalil sobre uma entrevista concedida pelo candidato em 2022. Segundo o governador, à época Kalil afirmou que violência doméstica e feminicídio eram questões complexas e que não seriam problemas do governo estadual.

Simões citou ainda o número de mulheres vítimas de feminicídio em Minas e pediu que Kalil explicasse a declaração. Na resposta, Kalil direcionou as críticas ao governo estadual. Ele afirmou que Minas Gerais enfrenta déficit no efetivo policial e criticou a remuneração das forças de segurança. “Governador, falta sete mil policiais no efetivo da polícia. Ela é a polícia mais mal paga do país”, afirmou.

O candidato também citou medidas adotadas durante sua gestão como prefeito de Belo Horizonte para o atendimento a mulheres vítimas de violência. Durante a resposta, Kalil ampliou as críticas a Simões e afirmou que o governador teria desrespeitado as polícias Militar e Civil de Minas Gerais.

“Depois que você desmoralizou a Polícia Militar”, disse Kalil, ao questionar a atuação do atual governo. “Você está em outro planeta ao fazer uma pergunta sobre feminicídio”, afirmou.

Por fim, Kalil rebateu Simões afirmando que o governo estadual fechou delegacias da mulher e disse que cuidar da segurança das mulheres também significa valorizar e recompor os efetivos das polícias Militar e Civil. “Esse negócio de colocar comandante mulher, é porque mulher foi o virou tema. Mulher e segurança pública agora dá voto”, disparou.

Além de Kalil e Simões, participam Flávio Roscoe (PL), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Gabriel Azevedo (MDB). O deputado federal Patrus Ananias (PT) não participou do encontro. 

No geral, o debate foi marcado principalmente por discussões sobre a dívida de Minas Gerais, segurança pública, educação, rodovias e investimentos. A situação fiscal do estado abriu espaço para um dos principais confrontos da noite. 

Questionado sobre as prioridades nos primeiros 100 dias de uma eventual gestão, Kalil criticou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e afirmou que as condições estabelecidas pelo acordo tornam Minas “ingovernável”.

Ele citou as parcelas previstas no acordo e disse que a prioridade de uma eventual administração será renegociar a dívida diretamente em Brasília. “É por isso que nós não estamos pendurados em presidente da República”, declarou.

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