Pelo segundo dia seguido, o trem da linha 8-Diamante descarrilou entre as estações Osasco e Comandante Sampaio, nesta sexta-feira (14), afetando a volta para casa do paulistano durante horário de pico. Privatizada em 2021, por João Dória, a linha operada pela ViaMobilidade, registrou descarrilamentos de trens por dois dias consecutivos.
Em decorrência do incidente, os usuários precisaram desembarcar do trem e caminhar ao longo dos trilhos da via férrea. Não houve registro de feridos. No entanto, o descarrilamento provocou atrasos expressivos e circulação com maiores intervalos na Linha 8-Diamante, além de impactos nas operações da Linha 9-Esmeralda, que faz integração em Osasco, também operada pela ViaMobilidade .
A circulação no trecho afetado foi normalizada às 18h39, após equipes de manutenção atuarem no local utilizando uma via auxiliar.
O episódio de sexta-feira ocorreu menos de 24 horas após um primeiro descarrilamento registrado na quinta-feira (13), por volta das 17h30, também no horário de pico.
Por sorte e por aparente falta de capacidade da privada, um trem, sem passageiros e em baixa velocidade, sofreu o descarrilamento de um conjunto de rodas ao passar por um aparelho de mudança de via próximo à Estação Júlio Prestes, na região central da capital.
A ocorrência exigiu o fechamento temporário da Estação Júlio Prestes para os trabalhos de remoção do veículo e reparo dos trilhos. Durante a interrupção, passageiros foram orientados a utilizar rotas alternativas pelas linhas 10-Turquesa e 11-Coral entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Luz. O trem foi removido ao longo da madrugada de sexta-feira, permitindo a reabertura completa da estação às 4h40 da manhã.
Diante da reincidência das ocorrências na malha ferroviária, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) notificou em caráter de urgência a ViaMobilidade para o envio de um relatório técnico detalhado com o diagnóstico das causas e o plano de medidas preventivas adotadas.
A agência reguladora informou que submeterá o material a uma avaliação rigorosa e que poderá instaurar processo administrativo sancionatório contra a concessionária, com previsão de multas que variam de R$ 40 mil a R$ 4 milhões.
Nos primeiros três dias de gestão privada, iniciados em 21 de julho de 2026, falhas graves nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram registradas após a privatização e entrega da operação à empresa Trivia Trens. As falhas mobilizaram o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a instaurar um inquérito civil para apurar responsabilidades e investigar os recorrentes problemas operacionais registrados nestas linhas.
Em três dias, entre os dias 21 e 23 de julho, foram contabilizadas mais de sete falhas graves, culminando na paralisação simultânea do sistema no dia 23 de julho devido a uma explosão no sistema de energia da Linha 12-Safira. O histórico de transtornos, que inclui paralisações, lentidão, superlotação de plataformas e falhas de infraestrutura desde o período de operação assistida, impuseram riscos à segurança e à integridade dos passageiros, além dos transtornos provocados na locomoção de milhares de pessoas na ida e volta do trabalho.
Diante da gravidade da sequência de episódios, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou que a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) reassumisse temporariamente a gestão direta e a operação das três linhas por um período de até 90 dias.
Ao mesmo tempo, o inquérito civil aberto pelo MP-SP, assinado pela promotora Patrícia de Carvalho Leitão com prazo inicial de conclusão de um ano, oficiou a Trivia Trens, a CPTM, a Artesp e a Secretaria de Transportes Metropolitanos para prestarem esclarecimentos, apresentarem relatórios técnicos de manutenção e detalharem planos emergenciais de fiscalização e segurança.











