Lucro da privada Enel dispara 195% em meio a apagões, tarifa alta e crise da concessão em SP

Protesto organizado pelo MTST na sede da Enel - Foto: Divulgação

A Enel Distribuição São Paulo registrou um salto de quase 200% no lucro líquido no segundo trimestre de 2026, mesmo em meio ao processo que pode resultar na perda da concessão do serviço de distribuição de energia na capital paulista. Enquanto aguarda a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a empresa informou lucro de R$ 214,6 milhões entre abril e junho deste ano.

O resultado representa uma alta de 195,07% em relação ao mesmo período de 2025, quando a distribuidora havia lucrado R$ 72,74 milhões.

A receita líquida da companhia também cresceu no trimestre, alcançando R$ 5,83 bilhões. O avanço de 8,47% foi impulsionado, segundo a empresa, pelo reajuste médio de 13,94% nas tarifas de energia, em vigor desde julho de 2025.

Outro indicador que apresentou crescimento foi o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que chegou a R$ 1,13 bilhão. O aumento de 26,77% foi atribuído aos efeitos da inflação sobre as tarifas e à atualização dos ativos financeiros da concessão.

A distribuidora também ampliou os investimentos na rede elétrica. Desde o início de 2026, os aportes somam R$ 1,5 bilhão. Apenas entre abril e junho, foram investidos R$ 807,7 milhões, valor 28,32% superior ao aplicado no mesmo período do ano passado.

Apesar dos resultados positivos, os consumidores paulistas passaram a pagar mais caro pela energia. Desde julho de 2026, as tarifas tiveram novo reajuste de 7,75%, o que representa um impacto médio de 10,18% nas contas de luz.

Os números foram divulgados enquanto a Enel enfrenta um processo na Aneel que pode levar à cassação antecipada da concessão em São Paulo. No balanço financeiro, a empresa informou que já apresentou defesa prévia e alegações finais, mas destacou que o pedido de renovação antecipada do contrato permanece suspenso até a conclusão da análise da agência reguladora.

O processo de caducidade poderá encerrar antes do prazo o contrato da distribuidora, atualmente previsto para terminar em 2028. A medida foi aberta após a Aneel identificar problemas considerados graves e estruturais na prestação do serviço. Segundo a diretoria da agência, existem “elementos suficientes” para a “caducidade” da concessão.

Em meio ao risco de perder o contrato, a empresa também registrou aumento nas despesas operacionais. Os custos cresceram 9,75% e atingiram R$ 1,84 bilhão, reflexo dos gastos com podas de árvores, atendimentos emergenciais e reparos realizados após o forte temporal que atingiu São Paulo em dezembro de 2025.

A administração da Enel atribuiu o desempenho financeiro ao crescimento da margem operacional e ao controle das despesas. “Esse desempenho refletiu principalmente a expansão da margem do negócio, o aumento da atualização do ativo financeiro da concessão e a disciplina na gestão dos custos operacionais”, afirmaram os administradores.

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