Lula abre todos sigilos, enquanto Flávio Bolsonaro usa pretextos para não abrir os seus

Membros da campanha de Lula protocolam autorização para abrir sigilos (Foto: Reprodução - Instagram)

Presidente aceitou todas as condições iniciais colocadas pelo adversário, mas o bolsonarista se acovardou. Agora, apresenta novos pretextos, muitos que não dependem de Lula, para continuar escondendo a podridão de seus dados

Conforme se comprometeu publicamente, desafiando o adversário no atual pleito eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a autorização para a quebra de seus sigilos, enquanto Flávio Bolsonaro continua apresentando pretextos para não prestar as informações relativas ao seu sigilo bancário, fiscal e telefônico.

Agora, o candidato da extrema-direita colocou novas condições para aceitar o desafio de Lula, receoso, certamente, com o conteúdo resultante da quebra de seus sigilos. Afinal, não faz muito tempo, entre outras presepadas do candidato, pediu R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro sob o pretexto de financiamento do filme do pai. Sobre o destino desse dinheiro, apesar das inúmeras cobranças, até hoje Flávio Bolsonaro nada esclareceu.

Lula, no debate da Rede Bandeirantes, desafiou Flávio e, entre outras considerações, lembrou que ele, presidente, tem praticamente os mesmos rendimentos do adversário, mas com a diferença de que mora em um apartamento de sua propriedade que vale R$ 1,5 milhão, enquanto o bolsonarista adquiriu com dinheiro fácil de uma transação com o BRB – o mesmo banco para o qual o Vocaro quase vendeu a arapuca do Master – uma casa em bairro nobre de Brasília que custa R$ 10 milhões. Realmente, apenas esse fato explica a resistência do “amigo” do ex-banqueiro em abrir informações sobre suas contas.

Além do sigilo relativo aos últimos oito anos, o presidente colocou à disposição da Justiça os sigilos da primeira-dama, Janja Lula da Silva, e de seus cinco filhos – Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Claudio Lula da Silva. 

“Este desafio e autorização também abrangem as pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios ou administradores, bem como aquelas em cujas contas bancárias figurem como responsáveis financeiros”, diz o documento. A peça lista apenas uma pessoa jurídica vinculada a Lula – a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda –, enquanto elenca cinco pessoas jurídicas que teriam ligações com Flávio, incluindo uma offshore. 

“A divulgação pública dos dados bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos, anterior a próxima quarta-feira (21), é fundamental para que a população brasileira seja devidamente informada e possa decidir livremente em quem vai votar”, diz a peça. 

Segundo Lula, seus sigilos e de seus familiares devem ser retirados caso Flávio Bolsonaro faça o mesmo em relação a si, à esposa Fernanda, aos pais – o ex-presidente Jair Bolsonaro e a suplente de deputada federal Rogéria Bolsonaro (PL-RJ) – e aos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan. 

A petição foi encaminhada ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques.  

“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto. E eu quero ver se ele tem coragem”, disse Lula nesta terça (20) em evento de campanha em São Luiz. 

AS DESCULPAS DO BOLSONARISTA PRA FUGIR DA RAIA

Durante o debate na Band, após o desafio de Lula, Flávio Bolsonaro simplesmente silenciou, certamente, porque não esperava a iniciativa do presidente. Tal desafio jamais partiria dele, enrolado que está desde os tempos das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e da “lavanderia” que se transformou sua loja de chocolates.

O sacripanta protocolou uma petição com 19 exigências, pedindo que a quebra de sigilo alcance também terceiros, como o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro (“Marcola”), Fábio Luís Lula da Silva (“Lulinha”), a empresária Roberta Luchsinger, o Instituto Lula e gastos do cartão corporativo.

A inclusão de “terceiros”, na prática, é o pretexto para fugir do desafio de Lula, pois a quebra do sigilo dessas pessoas não depende do presidente.

Depois disso, a advogada de Flávio, Maria Cláudia Buchianeri, afirmou que seu cliente condicionará a apresentação de seus documentos depois que os de Lula forem analisados. Trata-se de nova desculpa para adiar um assunto que é espinhoso para o candidato bolsonarista.

E vejam o surrealismo da campanha de Flávio: escalaram o ex-procurador da República Deltan Dallagnol como analista do material apresentado – o mesmo que, junto com Moro, preparou todo aquele circo para condenar Lula.

Mas as condições não param aí: a campanha bolsonarista quer que Lula apresente suas contas do período de 20 anos, desde que assumiu a primeira vez a Presidência da República, mas o mesmo não vale para Flávio Bolsonaro, cuja abrangência no tempo deve ser apenas dos 8 anos de mandato como senador, ou seja, dois pesos e duas medidas.

Outro pretexto é o acesso às informações do cartão corporativo de Lula. Os bolsonaristas sabem que isso não é possível por lei, em razão de constituir questão de segurança nacional.

Sobre esse assunto, Flávio deveria se aconselhar com o pai, o mandatário que na Presidência da República mais impôs sigilos ao seu cartão corporativo na época, usado, frequentemente, para financiar suas motociatas e passeios de jet ski.

Pesquisa inédita avaliou os 1.379 sigilos decretados pelo governo federal entre 2015 e 2022 e descobriu que 80% deles foram impostos durante o trágico período Bolsonaro. A maior quantidade de sigilos de cem anos foi decretada em 2021: 342. O número é 12,7 vezes maior em relação a 2015 (27). O levantamento foi feito à época pela ONG Transparência Brasil.

Como se vê, caro leitor, o candidato bolsonarista usa todos esses pretextos para fugir da raia, num claro sinal de acovardamento diante do desafio do presidente Lula.

Flávio Bolsonaro só está agindo assim porque tem muito a esconder. Um verdadeiro lamaçal ainda não foi revelado à população brasileira, mas o que já se conhece é suficiente para a maioria dos eleitores rejeitá-lo no próximo dia 25.

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